por Fernando Lorenzon em 31/05/2010 as 00:08

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Olá, este é mais um review de um game muito bom e pouco conhecido: Master of Olympus – Zeus.

Quase pensei em colocar este como clássico, mas não vejo quase ninguém falando dele.

Para quem  não conhece, Zeus é mais um jogo da série de construtores históricos de cidades da Impressions Games.

Vamos dar uma listada neles:

- Caesar (1992);
- Caesar II (1995);
- Caesar III (1998);
- Pharaoh (1999);
- Cleopatra (expansão de Pharaoh);
- Zeus (2000);
- Poseidon (expansão de Zeus);
- Emperor (2002)
- Caesar IV (2006, Desenvolvido pela Tilted Mill Entertainment)

Talvez todos conheçam Caesar 3, e provavelmente já ouviram falar de Pharaoh. Zeus é o game lançado após Pharaoh, e para mim é o melhor jogo da série. Na verdade, não há nada de muito diferente em comparação com Pharaoh ou Emperor, mas o jogo se destaca mesmo pela temática. Basear-se na mitologia e história da Grécia antiga é uma grande vantagem, pois na Grécia temos heróis, líderes, filósofos, escritores e guerreiros famosos por seus feitos e cada um com muita personalidade, sem falar na mitologia, que se destaca das demais por ser mais rica e divertida. Comparando com Pharaoh, o universo de Zeus funciona melhor justamente por causa dos personagens. No Egito quase ninguém além dos faraós tinham alguma importância na história, e o jogo acaba ficando meio genérico.

A jogabilidade de Zeus não foge muito do padrão de Sim City. Deve-se construir cidades e administrar os recursos, que se dividem em alimentos, matéria prima, dinheiro e a própria mão-de-obra. Porém, ao contrário do jogo de Will Wright, aqui temos metas bem estabelecidas, que devem ser cumpridas para avançar para a próxima fase.

Mas antes de falar em fases, temos que focar nas campanhas. O jogo se divide em várias campanhas completamente independentes entre si, onde cada uma conta um pouco da mitologia grega. Cada campanha possui um número de fases. Na maioria das fases, é necessário cumprir metas através do gerenciamento de uma cidade-estado ou uma de suas colônias.

Falando das metas, elas variam muito e podem ter cunho gerencial, mitológico ou militar.

Metas de gerenciamento pode ser atingir um certo número de habitantes, ou obter uma certa quantidade de alguma matéria-prima para despachar para a colônia.

No campo mitológico, existem metas como eliminar um monstro, construir um templo ou realizar uma quest com um herói.

No campo militar, geralmente as metas consistem em dominar uma cidade rival.

Apesar da aparente riqueza nessas metas, no fundo tudo consiste em construir coisas na cidade e gerenciar recursos. Para eliminar um monstro ou completar uma quest, é preciso chamar um herói para a sua cidade. Para chamá-lo, deve-se cumprir algumas sub-metas e obter alguns recursos que o herói exige. Logo na primeira campanha, a Medusa invade sua cidade e fica atacando nas proximidades da jazida de mármore. O herói certo para matar a Medusa é Hércules, e assim que ela invade, o hall do herói apropriado fica disponível para construção. Ao construir o hall, é possível ver as metas para que Hércules venha para sua cidade matar o monstro. Neste caso as metas são:

- O Hall deve ter excelente acesso a cultura
- Vencer algum jogo pan-helênico
- Excelente acesso ao ginásio
- População de 1500
- 32 ânforas de vinho

Assim que tudo isso esteja disponibilizado, basta clicar no hall para abrir o menu e chamar o herói.

Alguns heróis exigem que a cidade tenha alguns templos. Outros exigem uma certa força militar.

Para cumprir uma quest, basta abrí-la no menu e selecionar o herói que já está na sua cidade para completá-la.

Ao contrário dos games anteriores, aqui os deuses tem uma importância muito maior. Quando um deus invade ou ajuda sua cidade, ele realmente aparece fisicamente e caminha pelas ruas.

Uma diferença com relação à Pharaoh é que as fases possuem metas bem balanceadas de modo que cada fase dure mais ou menos o mesmo tempo para concluir. Algumas fases de Pharaoh poderiam demorar horas, principalmente quando o objetivo principal era construir uma grande pirâmide.

Cada um dos deuses podem ajudar dependendo de sua habilidade, desde que você tenha construído o templo de algum deles. Hermes ajuda a realizar as entregas de produtos pedidos pelos aliados mais rapidamente. Atena produz azeite e ajuda nos combates, inclusive protegendo sua cidade contra deuses inimigos. Afrodite preenche todas as casas com habitantes e evita que eles emigrem. Ártemis enche os celeiros de carne e dispôe de soldados arqueiros para ajudar nas guerras, e por aí vai.

A construção de um templo é um feito por si só, pois é necessário uma grande quantidade de mármore, além de madeira (para os andaimes no processo de construção) e por fim estátuas. Cada deus possui um templo de tamanho diferente, conforme seu poder e importância. Zeus possui o maior templo. Afrodite e Dionísio os menores. A construção desses templos é um processo à parte que leva tempo e consome recursos, similar à construção das primeiras pirâmides do jogo Pharaoh.

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O interessante é que tudo o que fazemos são os bastidores para grande parte das conquistas descritas na mitologia. Uma das campanhas se chama As Viagens de Jasão, e toda ela é focada em construirmos cidades (lógico) em que Jasão passa ou que de alguma forma teve relação com suas aventuras.

A parte administrativa é complexa o suficiente para prender nossa atenção. De todas as necessidades da cidade, temos somente algumas das matérias-primas disponíveis na região. O restante deve ser obtido via importação. Porém, o jogador deve tomar cuidado para não ficar sem dinheiro, e para isso deve cuidar da exportação de bens para gerar alguma receita. Esse balanço torna o game muito divertido.

Assim como os games da série, quanto mais produtos e serviços você oferece para os habitantes, mais suas casas evoluem, ficando maiores e podendo assim abrigar ainda mais imigrantes. Assim o jogador se beneficia com o espaço ganho na verticalização da cidade. Com mais terreno livre, é possível construir os enormes templos ou as casas dos soldados.

Para não passar batido, os gráficos e os sons são muito bons. Por ser em 2D o nível de detalhes é grande. Você se convence das texturas de mármore e da arte grega através das construções. As músicas são muito legais e provavelmente teve inspiração em melodias gregas antigas. De todos os jogos da série, essas são as melhores músicas. Os efeitos sonoros são bons também e ao passar pela cidade é possível ouvir diferentes barulhos e vozes de cada local. As falas geralmente possuem um toque de humor, não sendo raro os momentos em que eu fiquei apenas clicando nas pessoas ouvindo elas falarem comigo.

Por falar em humor, até as animações possuem alguma gracinha. O engenheiro que vigia a qualidade dos prédios fica do alto de seu posto de engenharia observando a cidade por sinais de fogo, e sua túnica está com uma pequena labareda atrás. O vendedor de azeite fica num loop infinito onde ele anda pra frente com uma ânfora nas mãos e escorrega numa pequena poça do óleo, para então virar uma cambalhota, jogar para o ar o jarro e pegá-lo novamente à tempo. Os “pisotiadores” de vinho ficam atirando uvas um no outro e o prensador de azeite fica pendurado na alavanca sem conseguir descer, enquanto o outro a move para cima e para baixo.

Todos esses detalhes dão uma outra personalidade ao jogo e tira a chatice das pessoas dos games anteriores. Aliás, como eu havia falado das personalidades, nos teatros exibem peças de Sófocles, e nas escolas ensinam Aristóteles. Nada mau.

Uma coisa que não gosto é que ao terminar uma campanha, o jogo não registra que ela foi concluída. A idéia é ser um jogo mais aberto, sendo possível logo de início escolher qualquer uma das campanhas.

Depois de terminar todas elas, ainda tem a expansão, Poseidon, contando a origem de Atlantis, num conjunto de várias novas campanhas.

Então, para quem gosta de Caesar III, e assim como eu é grande fã da mitologia e principalmente da política e filosofia gregas, Zeus é o jogo perfeito.

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