
Como havia dito no primeiro Esculacha, iniciarei uma nova seção falando de jogos underdog, que significa oprimido, discriminado ou esquecido. A idéia do nome veio do site Home of Underdogs.
Por que criar mais uma seção para falar de jogos, vocês perguntam. Bom, joguei muita coisa na minha vida de gamer. Muitos jogos que joguei podem não ser conhecidos por vocês. Conheci muitos jogos bons através de conversas com amigos e buscas incessantes em grandes portais de games. Se dependermos somente da divulgação da mÃdia, acabaremos por conhecer somente aqueles jogos famosos de sempre, como Final Fantasy, Metal Gear, GTA…
Como considero importante compartilhar experiências sobre jogos, principalmente por estarmos em um blog, crio esta nova seção. Underdog tratará de jogos que joguei, gostei e que poucas pessoas conhecem. Diferente do Esculacha, onde procuro rebaixar jogos populares, e às vezes até premiados. Em Underdog a idéia é inversa.
Mantenho, só para não fugir do padrão, a seção Clássicos, com jogos famosos que eu joguei e que marcaram minha experiência como gamer. Mesmo assim, tento sempre incluir jogos não tão óbvios assim. Me reluto a falar do Ocarina of Time, por exemplo, simplesmente por ser um jogo muito óbvio para ficar elogiando.
Voltando ao tema principal, falarei um pouco sobre Urban Chaos:
Este game foi lançado em 1999 pela Eidos, para PC e posteriormente PS1 e Dreamcast. Possuo a versão para PC, que é obviamente superior à versão PS1. O jogo em si lembra um pouco GTA com influências – propositais ou não – do Batman 1 e 2 de Tim Burton. As missões são sempre noturnas e a cidade é grande, suja e com vários bandidos, pedestres comuns e prostitutas andando nas ruas. O jogador controla a policial D’arci Stern, uma novata, porém durona. Ela deve realizar missões simples no inÃcio, mas altamente perigosas próximo do final do jogo. Em muitas missões você poderá dirigir carros nas ruas e utilizar armas de fogo. As armas podem ser pistolas, shotguns, ou mesmo facas e tacos de baseball.
A cidade do jogo é chamada de Union City, que está próxima de comemorar a virada do milênio. A metrópole conta com vários prédios que na maioria das vezes podem – e devem – ser escalados para alcançar o terraço e cumprir alguma missão. Por várias vezes temos que pular de um prédio ao outro. Algumas vezes é possÃvel deslizar por fios entre eles.
A visão de cima dos prédios lembra muito Gothan City, principalmente pela aparente desordem e sujeira. Estar no topo de um prédio dá ao jogador uma sensação de familiaridade, devido ao ar de super-herói que estes momentos transmitem. Se o jogo não tivesse um certo ar de comédia, bastaria trocar a protagonista pelo morcegão para criar o melhor jogo do Batman já feito.
Vamos falar um pouco da jogabilidade. Ela lembra um pouco Tomb Raider com GTA, e talvez um pouco de Spider-Man.
As missões dão acesso a áreas diferentes da cidade e envolvem idas e vindas constantes. Lembrando que o jogo é quebrado em fases mesmo, com algumas missões lineares ou não-lineares, sendo algumas delas opcionais.
Para facilitar a vida, existe um radar na tela que indica localização dos inimigos e também a direção de cada missão. O cumprimento de uma missão pode liberar outras.
Cumprindo as missões principais, o jogador avança para a próxima fase. A maioria delas se resumem em derrotar uma gangue em algum esconderijo, acessar alguma área e conversar com alguém. A cidade é dividida em várias áreas. Cada fase ocorre em alguma dessas áreas. Mas diferente de GTA, você fica restrito àquele pedaço da cidade.
Bem que poderia ter um status geral no jogo para podermos acompanhar o que já concluÃmos. Acho que não faz sentido as fases terem tantas missões opcionais se o jogador não ganha nada ao concluÃ-las. Para mim, esse sempre um um mal dos jogos de PC. Não se aproveitam elementos do jogo que poderiam aumentar drasticamente o Replay Value.
As armas possuem uma mira que travam nos inimigos, e o jogador pode alternar os alvos se quiser. D’arci pode ainda correr, esquivar para os lados e pular para trás, o que é muito útil para evitar ser atingida por tiros. Se armas não forem o suficiente, você pode simplesmente socar e chutar os inimigos, dar ganchos, rasteiras, ou mesmo vir correndo e acertar uma voadora na cara do meliante (nada mais satisfatório que uma voadora). Mas o movimento mais eficiente é imobilizar o bandido no chão e algemá-lo. Muitas vezes isso faz parte das missões.
Quando um bandido está no chão, morto ou não, é possÃvel procurar por itens no corpo. É geralmente assim que se consegue obter algumas armas.
E assim como o jogador atira mirando nos inimigos, estes miram no jogador, exibindo uma retÃcula na personagem para indicar que está sob a mira deles.
Ao contrário dos games em 3D, a câmera dificilmente atrapalha. Os controles são fáceis de utilizar, apesar de exigir algum treino. Inclusive, o jogo conta com um bom tutorial dividido em três modalidades: Movimentos e escaladas; combates; direção de veÃculos.
Nas fases o jogador pode encontrar power-ups permanentes para melhorar a vida ou a força, que estão espalhados pela cidade e podem ser coletados mesmo depois de ter concluÃdo aquela fase. Sim, podemos voltar nas fases anteriores.
A ambientação é bem trabalhada. Enquanto joga, nenhuma música é tocada, o que dá um clima muito autêntico. Somente em momentos muito especÃficos surge alguma melodia.
Conforme se avança no jogo, a história vai se revelando, e o que parecia ser simples gangues fazendo bagunça acaba por revelar-se como algo mais sério, com eventos sobrenaturais, fim do mundo e tal.
Na época em que foi lançado, este game foi avaliado no PS1 pelos veÃculos como um jogo mediano ou mesmo ruim. Talvez por não terem jogado a versão para PC ou para DC. O frame-rate da versão PS1 é sofrÃvel como sempre. Aliás, este game foi um dos primeiros jogos de PC que joguei e só soube dele porque foi publicado por aqui pela revista CD Expert.
Há algum tempo, a Eidos lançou para PS2 e XBox 1 o game Urban Chaos: Riot Response. Apesar de possuir o mesmo tÃtulo, não sei se faz parte do mesmo universo. Não tenho informações suficientes sobre ele, mas acho que não há muita ligação com o primeiro. Inclusive, só por ser um FPS já o descaracteriza como continuação, pois Urban Chaos é terceira pessoa, com pulos, chutes, socos, voadoras e tiros.
Lembram do quanto eu criticava as tentativas frustradas de recriarem beat’em ups? Urban Chaos pode ser um bom sucessor do gênero, devidamente modernizado, mas ainda assim com jeitão Old-Scholl.
Double Dragon encontra GTA. E GTA encontra Batman. Este é Urban Chaos.
(Mas se fosse um jogo do Batman, o Coringa teria que ser baseado na versão de Cesar Romero, uhuhuhuh)
Tags: beat'em up, GTA
Categorias: Underdogs | 1 Comment »
Este game deixou saudades.
Era muito bom mesmo.
Lembro de um Cheat dele em que surgiam todas as armas ao redor do personagem principal e tinha outro que caia o carro bem na sua frente.
Joguei bastante ele.