
Me dá até medo de falar deste game. Mas leiam com calma.
Top Gear é uma série de corrida que fez muito sucesso no Super Nintendo… bah, todo mundo sabe disso. Quando Top Gear Rally foi anunciado para Nintendo 64, muita espectativa foi criada. Pelo menos, a idéia de jogos de rally ainda não era tão explorada na época nos consoles, e o jogo ficava muito bonito nas screenshots. A Tech Demo do jogo impressiona ainda hoje.
Passado algum tempo, o jogo foi lançado e finalmente saíram os reviews em diversas revistas. A recepção não foi das melhores. Muito criticavam a falta de velocidade. Outros criticavam os efeitos sonoros simples e músicas esquecíveis. Reclamaram até dos controles. No final, o game não era tão bom mesmo. Mas por algum motivo obscuro, eu gosto muito dele. Tentarei desobscurecer meu gosto mais a frente. Não tenho nada contra quem jogou e não gostou, mas certos games carregam mais que simples áudio ou sei lá o que.
Talvez, ou certamente, o que mais pesou para eu simpatizar com Top Gear Rally foi o pesado nome da série que ele carrega. Mas não é só isso. Se pegarmos todos os games de corrida da época, não tinha nada de tão espetacular assim. Vamos ver… tínhamos Need for Speed 2, que ficou pior que o primeiro. Ridge Racer Revolution, com sua exclusiva física de bondinho e sua única pista (com 3 variações). Perto destes, Top Gear Rally era muito mais criativo. A física do carro é bastante realista. E isso é muito importante num rally. A suspensão trabalha de maneira agradável. Acredito que a suspensão dos carros era a mais realista da época.
Há algo neste game que não consigo explicar com clareza, mas que o faz maior do que aparenta. Apesar das críticas, os gráficos são muito bem feitos e roda a 60 quadros, salvo alguns momentos onde vários carros aparecem na tela. As pistas são bastante criativas, e além disso temos diversas condições climáticas que adicionam no replay value e compensa o fato do game ter somente 4 pistas no campeonato, mais uma secreta.
Pilotar em cada pista trazia um senso de aventura. Elas são gigantes e formam um verdadeiro cenário. Cada pista possui um tema:
- A primeira pista é a Coastline. É uma pista formada próxima ao mar, com vários trechos de areia, algumas gaivotas, farol e etc;
- A segunda é a Jungle. Com certeza a mais interessante pelos detalhes. temos lama, árvores, vulcão, cachoeiras, templos asteca (ou maia, sei lá).
- A terceira chama-se Desert e apesar do nome, possui muitos detalhes. A pista corta uma pequena cidade, e então passa por túneis, morros e pousadas. Alguns balões no alto preenchem o céu em baixa definição.
- A quarta pista é a Mountain e contorna uma montanha. Apesar de desafiadora, não é muito interessante.
- A quinta, última e secreta, temos a Strip Mine. Uma pista que corta algumas escavações, obras, mineração. Possui lixo e ferro-velho em alguns lugares. A pista é relativamente curta, mas bem legal.
Quanto mais o jogador se atenta aos detalhes, mais coisas encontra. Rampar por cima de uma ponte sobre a lava de um vulcão pode ser imperceptível. Mas não é. Cortar caminho por cavernas é legal, e também ver o reflexo do céu nas pequenas poças de lama. Ou mesmo procurar por carcaças de carro na pista secreta ou passar por debaixo de tratores.
Todas as pistas possuem várias rotas alternativas. Algumas dão muita vantagem, mas são mais perigosas. Além disso, as diferentes condições climáticas alteram um pouco a estratégia de cada corrida.
Nunca me diverti tanto em um game de corrida com as pistas em si. Pelo simples prazer em correr nelas.
Jogos de rally em geral são muito chatos de se jogar. O legal mesmo é enfiar o carro em terreno irregular e sair de cada buraco com uma boa velocidade.
Falando do gameplay, temos como modo principal o campeonato com 6 anos, divididos em várias temporadas. Conforme se avança em uma temporada, novos carros mais potentes são liberados. No próximo ano, os carros são mantidos, o que não faz muito sentido, pois o jogador pode correr com os melhores carros já no ínicio de cada ano, contra adversários em carros mais fracos. Coisas como estas poderiam ter sido mais calibradas. Na verdade, sou contra sistemas de progresso baseados em mais “poder”. Este sistema inutilizou os demais carros deopis que o jogador obtém o mais rápido. Este tipo de coisa acontece em vários shooters onde uma boa pistola tona-se inútil mais adiante no jogo. O problema é que eu gosto de jogar com pistolas. Assim como pilotar carros mais básicos, como o Lancia Delta, o mais lento do jogo.
Voltando ao jogo, a cada ano vencido, um carro secreto é liberado. Estes carros não são mais rápidos que os outros, mas são bem engraçados. Eles são: O caminhão de leite, a bola de praia, o carro-capacete e o carro cubo.
Antes de cada corrida o jogador pode escolher entre 3 níveis de sensibilidade do controle; 3 níveis de grip de pneu; e 3 níveis de firmeza da suspensão.
Apesar da física realista, os carros tendem a escalar as bordas das pistas, pois elas são naturalmente limitadas por barrancos e morros. Ao invés de simplesmente ricochetearem de volta, eles ficam presos e rodam. Definitivamente desencoraja sair do meio do trajeto. Isso é ainda mais perigoso nos trechos ondulados, onde o carro pula e pode perder o controle, saindo do traçado e se enroscando na borda.
Conforme colisões ocorrem, o carro vai amassando. Só que o amassado é calculado em tempo real, e não com modelos de dano pré-definidos. Ao invés do carro ficar com aspecto de destruído, ele fica amassado como uma latinha de alumínio. Mas melhor isso que nada. Ou não. Não me preocupo com representações de dano mesmo.
E já que mencionei os carros, aqui eles não são licenciados, mas copiam alguns carros por aí. Eles são identificados por uma sigla. Temos de início o Delta e o Escort. clássicos dos rallies. Depois, colocamos nossas mãos no Celica, numa BMW M3 e, entre vários outros, no todo-poderoso Porsche. Eita, isso tudo num jogo de rally. Mas acredite, é legal. Pena que o Porsche inutiliza todos os demais. Eu realmente odeio o modelo de progresso no estilo escadinha.
Como todo jogo de corrida, Top gear Rally também conta com os clássicos modos Arcade, Practice e Time Trial. Acredite, é tão divertido correr nas pistas deste game que este foi o único time trial dos jogos de corrida que me manteve entretido por algum tempo. Claro que mais divertido ainda era correr na pista secreta.
Mas o modo mais comentado é o Paint Shop. Nele, é possível pintar um carro com uma ferramenta que lembra Mario Paint. Depois, é só salvar no Memory Card e carregar a pintura no carro antes de cada corrida. Pintar o carro por todos os ângulos é extremamente simples. Quem desenvolveu a ferramenta está de parabéns.
Um fato interessante é que as versões japonesa e europeia possuem um clip de introdução diferente da versão americana. Além da versão japonesa ter o logotipo da tela de abertura diferente das demais versões. Na versão americana, talvez pelo falo de ter sido distribuída pela Midway, o game acabou tendo algumas pinturas de carros alteradas. Inclusive, uma delas possui o logotipo da Nintendo Power. Pena que tiraram a abertura original, que era muito mais bem montada e radical, digamos.
Depois deste, a série Top Gear passou a focar mais os rallies. Top Gear Rally 1 e 2 foram lançados para Game Boy Color. Eles não tinham nada a ver com a versão do Nintendo 64. Depois Top Gear Rally 2 foi lançado para Nintendo 64. Mas este é um game completamente diferente, e foi até desenvolvido por outra empresa. Nesta versão, tiraram a física interessante e colocaram mais semelhanças com corridas de rally. Cagaram no game. Depois, ainda saiu um Top Gear Rally para Game Boy Advance, que ficou parecido com o segundo do Nintendo 64. Pelo menos no GBA ele tinham gráficos em 3D bastante avançados para o sistema e ganhou muitos elogios.
Então… Top Gear Rally definitivamente NÃO é o melhor game de corrida que existe. Mas conseguiu fazer o que muitos outros games famosos do gênero não conseguiram e ainda não conseguem: ser divertido de pilotar. De correr pelas pistas.
Tags: corrida, top gear, top gear rally
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