
Eu escrevi sobre Mortal Kombat, focando principalmente seu lado cômico (já que não é trágico). Agora é a vez de Street Fighter.
Street Fighter II é a única série que começou a partir da segunda versão. Existem rumores de existir um tal de Street Fighter I, mas é tudo mentira! Aposto que a Capcom contratou a mesma equipe que fez Mega Man 9 pra fazer a prequel recentemente, só pra provar que o criador da série não havia tomado muito saquê quando fez o segundo jogo antes do primeiro sair.
Tá, é brincadeira, mas Street Fighter II foi sim um grande marco na história dos videogames. Sem Street Fighter não existiria a SNK que conhecemos, ou mesmo a série Mortal Kombat. Street Fighter definiu e padronizou os jogos de luta, criando o que seria o principal gênero do início dos anos 90 (luta, não RPG).
Mas como nem tudo são Shoryukens, vamos lá:
Em primeiro lugar, os lutadores são bastante bizarros. Alguns lutam usando técnicas “não tão marciais” assim. Que tal um lutador de yoga? Ou então um toureiro com voz de peru. Quem é da época dos 16 bits sabe que as vozes foram digitalizadas com uma qualidade muito baixa e a conversão para consoles as tornaram mais estranhas ainda. O que deveria ser uma risada de Balrog tornou-se um “glu glu glu glu”, no melhor estilo Serginho Mallandro.
E por falar em Balrog, tem toda aquela troca de nomes que a Capcom adora (lembre-se de Rockman). Os nomes originais são: Mike Bison (boxeador), Balrog (toureiro) e Vega (chefe de jogo e de quadrilha). Como Mike Bison (pronuncia-se “Báison”) foi criado descaradamente em homenagem ao grande comedor de orelhas e lutador nas horas vagas, Mike Tyson, a Capcom ficou com medinho de usar este nome no ocidente e sofrer algum tipo de processo. Então, ao invés de simplesmente alterar o nome dele, resolveram trocar os nomes de TRÊS chefes do jogo (pra quê!?!?), nomeando o chefão como Mike Bison, ou abreviado como M. Bison. Claro que aqui no Brasil ele virou Mister Bison, Major Bison e etc. O boxeador virou Balrog, e o peru mascarado virou Vega. Por milagre Sagat escapou dessa bagunça (vai ver é por isso que ele se borra de tanto rir quando vence a luta).
Os personagens até possuem carisma, mas seus estilos de luta não são tão legais. Qualquer novato vai gostar de Ryu e Ken por parecerem mais normais. Os lutadores foram muito caricaturizados. Temos um lutador de sumo do Japão; Um toureiro da Espanha; Uma fera da amazônia; Um militar dos EUA; Um yoge da India; Um wrestler da Rússia. Os lutadores mais coerentes são Ryu, Ken, Chun-Li e Sagat, que realmente representam guerreiros de artes marciais sérias. A idéia de querer representar guerreiros de vários países também limitou muito o estilo de luta, pois as artes marciais só são abundantes no oriente. Acho que The King of Fighters se sai muito melhor neste quesito.
Outra coisa estranha é a história do jogo. Não se sabe direito porque os personagens são considerados lutadores de rua. Alguns desenhos tratam os lutadores como competidores do torneio “Street Fighter”. Outras fontes os consideram meros andarilhos que buscam lutas pelo mundo, como é o caso de Ryu (aí o título faz sentido). Outras fontes como mangás tratam os mocinhos como uma equipe de justiceiros que trabalham unidos para combater Vega, sendo esta equipe chamada de “Os Street Fighters” (uh, medonho).
No enredo até a Capcom faz bagunça. Muitos tinham dúvidas quanto a origem de Blanka. Existem referências de que ele era Charlie depois de ser capturado e modificado por Vega (é o caso do filme, por exemplo). Mas acho que oficialmente os dois são completamente independentes, e Blanka não tem nenhuma ligação com Guile (pronuncia-se “Gáile”/”Gáiou”).
Os personagens também não possuem nenhum apelo estético. Eles geralmente usam pouca roupa e estão descalços, parecendo mendigos.
E assim como os ninjas de Mortal Kombat, Street Fighter conta com vários clones. Ryu e Ken só começaram a se diferenciar em Super Street Fighter II, mas mesmo assim foi só na velocidade ou força de alguns ataques. Depois ainda surgiram Gouki, Dan, Sean… E mesmo os demais personagens possuem movimentos especiais parecidos: Um anti-aéreo, um projétil, um multi-hit.
E quando a gente começou a gostar dos esfarrapados, a Capcom lança a série Street Fighter III com apenas Ryu e Ken dos anteriores. Não entendo como colocaram a Chun-Li somente na terceira versão da série III. E até Ryu e Ken não entrariam nesta série, tendo somente Sean como representante do karate.
Agora, com Street Fighter 4, teremos algumas novidades, mas toda a esquisitice está lá, realçada pelos gráficos aperfeiçoados. Pelo menos agora os personagens clássicos voltarão, e espero que as boas músicas da série também.
Mas aguardem por Street Fighter IV 1, Street Fighter IV 2, Street Fighter IV 2 Turbo, Street Fighter IV 3 Final, Street Fighter IV Final Plus…
Tags: Mortal Kombat, street fighter
Categorias: Reflexões | 1 Comment »
Piada ou não, eu sei que passei boa parte da minha infância jogando esse game e ganhei alguns salgados e cocas por isso.
E digo mais, na última vez que nos enfrentamos não preciso nem dizer quem saiu vitorioso.
É a vida…
haha
De qualquer forma, gostei do texto!