por Tiago Barão em 24/04/2008 as 20:23

CCthulhu
O Indescritível em pessoa

Devido ao “sucesso” do ultimo post de “contos-roteiros”, posto aqui mais um para que o pessoal opine e use.

Era uma vez, e assim começa a maioria das histórias. A minha também começou assim…

Era uma vez, eu estava calmamente passando por uma longa estrada que leva da cidade onde eu moro a cidade vizinha, aonde eu trabalho. Cinco dias por semana eu fazia esse caminho, saia quando estava ainda escuro e só voltava tarde da noite. Mas um dia aconteceu o fato que mudou toda a minha vida.

Nessa noite eu estava voltando ainda mais tarde para casa, era dia de balanço na empresa e tive que ficar até tarde para arrumar tudo para o outro dia. Estava voltando cansado para casa, quase dormindo na estrada, quando vi no meio da estrada uma luz forte parada, como se um carro com luz alta estivesse parado na minha frente. Pisei no freio bruscamente, encostei o carro no acostamento, saí e fui ver o que tinha acontecido.

Mas o que estava na estrada, não era um carro e sim uma estranha carruagem, puxada cavalos de metal que vomitavam aquela luz absurda. A carruagem era guiada por um ser indescritível. Quando os meus olhos encontraram o dele simplesmente não consegui pensar em nada, somente em correr.

E Corri.

Corri muito, por muito tempo, mas a distancia entre eu e a carruagem não aumentava. Só parei de correr quando ouvi a gargalhada mais pavorosa da minha vida e senti minhas pernas abraçadas por algum tipo de corda que era umida e cheirava como ovo podre. O pior, essa corda saia da palma da mão do condutor. Só me restou gritar…

Quando o meu grito de desespero terminou, já estava deitado em uma mesa fria, uma mesa de operações, mas não de um hospital comum. Os “médicos” eram todos horríveis, com vários olhos, mãos em locais improváveis e instrumentos estranhamente familiares, mesmo que desconhecidos. Ao redor de mim, dentro de vários vidros, jaziam criaturas que não deveriam existir, cada uma só encontrada no pesadelo mais profundo que a minha mente pode conseguir. Quando a maravilha criada pelo horror passou, notei o que estavam fazendo comigo.

O meu tórax estava aberto. Com todos os órgãos dentro dele trocados por simulacros estranhos dos antigos. Eu gritei mais uma vez, mas a minha voz já não saia como antes. Eu não respirava mais e sim recebia líquidos pelo nariz. Os meus braços não se moviam. Os meus olhos estavam saltados e viam as coisas como se todas fossem redondas. O desespero aumentou, mas a tortura não diminuiu. A cada dia que se passava eram mais e mais modificações no meu corpo, até que me tornei irreconhecível para mim mesmo.

Mas um dia algo que era inesperado aconteceu. As torturas pararam, os médicos sumiram e a porta de saída estava aberta. Eu me levantei, andei e saí. Da “sala de cirurgia” para uma floresta imensa feita de espinhos. Dois passos a sala sumiu, só restavam espinhos. Depois de muito tempo vagar pelos espinhos encontrei uma casa abandonada. Nessa casa que eu escrevo isso agora. Aqui que aprendi a usar as minhas “habilidades” novas. Aqui que a semente da vingança floresce.

Esse conto foi baseado na premissa de cenário de um RPG de mesa, o Changeling: The Lost.

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