
Como devem adivinhar, terminei recentemente o SRW OG para Game Boy Advance, o divertido jogo de RPG Tático com mechs, e trago o review conforme prometido.
Para quem leu meu review anterior sobre Super Robot Taisen J, não devem encontrar muitas diferenças assim entre ele e este jogo. Portanto farei um review mais comparativo entre SRW OG e SRT J. Leia lá o review de SRT J antes.
Super Robot Wars Original Generation é o primeiro jogo da franquia lançado oficialmente fora do Japão. Ao contrário dos outros jogos da série, este não possui nenhum mech ou personagem vindo de animes. Como o nome diz, o jogo possui conteúdo original. Uma curiosidade é que todas as unidades possuem nomes em alemão. Queria entender melhor o porquê dessa adoração dos japas pelos alemón. Seriam resquícios de uma antiga aliança militar?
De qualquer forma, temos como mech básico o Gespenst (Fantasma). Posteriormente surgem o Alteisen (Sucata), Weissritter (Cavaleiro Branco), Huckebein (Corvo), entre vários outros. Viu como o idioma alemão é legal pro mundo nerd?
Respectivamente: Gespenst, Alteisen, Weissritter, Huckebein
O jogo foi lançado em 2002 no Japão, mas só veio para o ocidente em 2006.
Algo interessante sobre a relação da série com animes é que a série Original Generation é a única não baseada em nenhum anime. Por causa desta lacuna, resolveram fazer o caminho inverso, criando duas séries de desenho japonês baseados no game. Primero tem o OVA Super Robot Wars Original Generation: The Animation. Depois saiu uma série chamada Super Robot Wars Original Generation: Divine Wars.
GRÁFICOS
Apesar da qualidade gráfica satisfatória, este jogo não supera o SRT J. É bom lembrar que SRW OG foi lançado no início da vida do GBA, enquanto o SRT J foi lançado no final.
Os menus são simples; os efeitos especiais são básicos; as animações são minimamente complexas. Mesmo assim, os mechs são feitos com bastante esmero, com um bom nível de detalhamento.
Comparando com o J, os menus são horríveis. São feitos somente com caracteres, e um pouco borrados. As fontes utilizadas não possuem boa qualidade. Se jogar no emulador com ampliação da tela, fica ainda pior.
Pra variar, todas as unidades são representadas em gráficos SD, que na minha opinião tira muito da seriedade do jogo. Os únicos momentos onde os mechs são representados corretamente são em alguns closes em algumas animações de ataque. Chega a ser contrastante ver o robô cabeçudo se preparando pro ataque e de repente uma imagem detalhada mostra o mesmo robô em proporções corretas. Esses mechs são bem legais. Dá muita vontade de comprar bonequinhos, hehehe.
Os principais mechs (clique para ampliar)
Aliás, por ser um jogo com unidades originais, o estilo dos mechs combina muito mais entre si, sendo muitas vezes co-relacionados. Isso não ocorre nos outros jogos da série, uma vez que misturam robôs da década de 70 com mechs recentes.
Outra característica deste game é que os personagens, apesar de serem representados somente com pequenas fotos do rosto, possuem várias expressões que adicionam muita personalidade nos diálogos e nas batalhas.
AUDIO
Como todos os games do GBA, este aqui não possui uma boa qualidade de áudio. Muito disso se deve à limitação do próprio aparelho, que não consegue criar áudio com uma definição muito alta.
Os efeitos sonoros são bem simples e piores que o J, sem muita variedade ou qualidade. Muitos efeitos são reaproveitados.
Mas as músicas… ah, agora sim! Super Robot Wars Original Generation (tive que escrever por extenso desta vez) possui uma trilha sonora ótima, que combina muito bem com o game. Muitos personagens possuem seus próprios temas e eles combinam muito bem com a personalidade de cada um.
Fico o dia todo com as músicas grudadas no meu cérebro. O que mais impressiona é que são lançados mais de um jogo da série SRT por ano, e eles conseguiram criar uma trilha sonora com muita personalidade. SNK, aprenda.
JOGABILIDADE
A jogabilidade de combate é similar ao SRT J. O jogador deve selecionar unidades antes das batalhas e então no seu turno movê-las pelo mapa para atacar os inimigos. Cada ataque ocasiona um contra-ataque, forçando o jogador a adotar táticas melhores do que simplesmente partir pra cima de qualquer jeito. Para vencer as batalhas, é necessário utilizar o sistema de suporte dos aliados para atacar em dupla ou se proteger dos ataques. Além disso, os pilotos possuem habilidades similares ao sistema de spells dos RPGs medievais, que inclui aumentar o foco para melhorar a esquiva por um turno; reparar um robô; provocar o adversário para diminuir a força de ataque e etc. Nesses aspectos o jogo não foge nem um pouco dos demais da série.
O que muda um pouco na jogabilidade é que a personalização do time é um pouco mais detalhada. Aqui é possível equipar armas e peças em cada robô. É possível também alternar os pilotos dos mechs. Cada piloto possui várias habilidades passivas a serem compradas com pontos de XP, além dos atributos que podem ser melhorados individualmente. É possível então criar pilotos melhores em combate à distância e colocá-los em mechs de combate à distância, por exemplo.
Algumas habilidades passivas a serem compradas são:
-Counter: pode atacar antes do inimigo ao ser atacado;
-Support: fornece auxílio de ataque ou de defesa ao um aliado adjacente;
-In-Fight: melhora ataques corpo-a-corpo;
-Command: melhora o ataque e a esquiva de aliados adjacentes;
-SP-up: aumenta a quantidade total de pontos de “magia”;
-e muito mais.

Alguns spells usados no combate
Após as batalhas o jogador ganha créditos para melhorar os mechs. É possível melhorar o HP, escudos, mobilidade e energia. Além disso, o jogador ganha peças adicionais que podem ser instaladas nos mechs para melhorar alguma característica ou dar novas habilidades.
Cada mech possui suas próprias armas acopladas que não podem ser removidas. Porém, eles possuem mais slots para equipar armas avulsas ganhas em batalhas, podendo instalar armas melhores ou intercambiá-las entre os mechs.
Cada arma ao ser utilizada ou gasta energia do mech ou consome uma unidade de sua própria munição.
Existem vários tipos diferentes de arma, que inclui facas de aço, sabres de luz, pistola de plasma, discos cortantes, shotguns e metralhadoras. Algumas delas só podem ser utilizadas caso o mech não se mova antes, enquando outras podem ser utilizadas após o movimento. Isso adiciona estratégia nos ataques.
Todas essas coisas tornam a jogabilidade um pouco mais variada, pois tirando os combates, sobra a história pra acompanhar e seus diálogos a serem avançados apertando o botão.
No início do jogo, é possível escolher um entre dois personagens que será o protagonista. Cada um possui sua própria história e as primeiras fases até a metade do jogo são diferentes para cada um deles. No meio do jogo as histórias se juntam e os protagonistas seguem num fluxo único de fases comuns entre eles.
Ao terminar o jogo é possível recomeçá-lo a partir do save final, mantendo os upgrades dos mechs caso o mesmo personagem seja escolhido. Achei ruim perder os upgrades caso um novo jogo seja começado com o outro personagem. Afinal, não vi motivos suficientes para jogar tudo novamente com o mesmo protagonista.
HISTÓRIA
A história é parecida com a dos outros jogos da série. Alienígenas querem invadir a Terra por algum motivo que não me lembro, pois devo ter avançado este pedaço do diálogo. Alguns terráqueos possuem ligação com os aliens e a história começa com duas facções terráquias guerreando entre si.
Apesar dos clichês, os personagens tem profundidade o suficiente para que você consiga diferenciá-los. Além disso, os vilões são bacanas e muitos deles não estão contra você pelos mesmos motivos, tendo alguns plot twists e novas alianças ao longo da guerra.
Os diálogos são mais interessantes e um pouco mais curtos que os de SRT J. Eu acompanhei boa parte da história numa boa, sem me sentir cansado.
A história no início gira em torno de dois personagens protagonistas, sendo que cada um segue seu próprio caminho no início, se encontrando no meio do jogo. Eles são Ryusei e Kyosuke.
Ryusei é o típico nerd japonês viciado em games, que acabou de vencer o torneio nacional do game de robôs criado para recrutar pilotos pro exército. Após alguns eventos iniciais, Ryusei se vê obrigado a pilotar um robô para se defender e une-se ao exército aliado, que está em guerra com a facção Divine Crusaders.
Kyosuke é um militar nos EUA que está testando novos projetos de mechs para o exército aliado e acaba tendo que proteger o quartel general de alguns ataques dos Divine Crusaders e dos robôs autômatos alienígenas.
Cada protagonista possui seu próprio núcleo de colegas com muita personalidade, sendo que depois todos se encontram após a derrota dos Divine Crusaders para combaterem os aliens.
CONCLUSÃO
Na minha opinião, SRW OG é melhor que SRT J por ter mais profundidade na já rasa jogabilidade, além da história coerente e personagens mais carismáticos. As músicas são marcantes e mantém o clima do jogo.
Ainda acho que a série tem muito o que melhorar. Os combates são legais mas tirando isso só sobra como jogabilidade a configuração dos mechs e o avanço do texto dos diálogos. Bem que poderiam enriquecer o jogo adicionando um mapa mundi para o jogador explorar. Outra sugestão é criar missões paralelas, assim como é feito em StarCraft 2.
Os gráficos em SD só infantilizam o jogo e acaba com o excelente design dos mechs.
Como não existem muitos jogos da série vindo para o ocidente, é melhor nos contentarmos com este game e sua continuação, o OG 2 (além do J que foi traduzido por fãs).
Vida longa aos robôs gigantes!
Tags: RPG, Super Robot Taisen, Super Robot Wars
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