

O escritor italiano Ítalo Calvino escreveu o livro “Por Que Ler os Clássicos”, onde apresentava grandes autores e livros do passado como algo indispensável. Ele tinha a idéia que as obras clássicas de literatura formavam uma pessoa, e que a própria literatura devia muito a elas. Estes livros clássicos são geralmente lidos às pressas, na juventude, e depois esquecidos, porque não foram lidos na hora certa.
Grandes livros do passado são com grande freqüência esquecidos em favor de livros mais novos, pomposos e famosos. Na literatura, o status de um leitor pode ser medido erroneamente pela quantidade de livros que lê, e não pela qualidade. Muitos também acham que livros mais novos são mais especiais, e é comum ver livros de vitrine serem mencionados à exaustão no círculo de pseudo-intelectuais.
Segundo Calvino, os clássicos são aqueles que relemos.
Quanto aos jogos, podemos dizer que existem aqueles que são clássicos. Os jogos clássicos são fáceis de identificar. Geralmente, e infelizmente, eles são aqueles com gráficos mais simples, pois são mais antigos. Mas assim como livros antigos, continuam modernos e únicos.
Estes jogos são jogados no início da “vida digital” do jogador, e por isso não são reconhecidos como grandes jogos. Para perceber o valor destes jogos, é preciso revisitá-los.
Muitas pessoas que hoje jogam os clássicos estão jogando-os não pela primeira vez, mas sim pela segunda ou terceira. A tentação de jogar um clássico parece aumentar com a crescente oferta de jogos de vitrine que tentam suprir uma demanda dos jogadores ávidos por novidades.
Admiro haver serviços pagos de download de jogos antigos da Nintendo e da Microsoft dando lucro. Assim como os leitores de todas as eras, os jogadores também buscam mais satisfação no que é mais novo. Por uma questão tecnológica, parece mais difícil um jogo antigo ser re-jogado, se comparado com um livro.
O que ganhamos jogando os clássicos? O que eles tem de especiais? Vejo os mais jovens impressionarem-se com jogos de conteúdo mais cinematográfico, enquanto a essência de um bom jogo se perde, sendo resgatada apenas pelos olhos de jogadores das gerações anteriores.
Precisamos cada vez mais da influência dos grandes clássicos para que os novos jogos não se percam em detalhes puramente tecnológicos.
Um jogo é mais que seu conteúdo audiovisual. O papel dos clássicos é mostrar isso.
Como nos divertíamos na época do Nintendo!
Categorias: CubaGames | 3 Comments »
Clássico é clássico.
Agradeço muito aos emuladores que me proporcionaram muito diversão em games que já tinha jogado e outros mais “cults” que não tive a oportunidade.
Realmente, clássico é clássico e vice-versa.
Jogos como Tetris Attack e Starcraft são jogados por mim até hoje.
E ai de quem disser que isso é coisa de tiozão! hehhe
Vale Lembrar alguns classicos modernos como Metroid Prime… o jogo Bom viu… ^_^
É um dos poucos jogos atuais q tem a “essencia” classica. Coisa q se perdeu em suas 2 sequencias (apesar de serem boas)