por Romulo De Lazzari em 05/05/2008 as 22:57

É uma pergunta pertinente, pois todo mundo sabe que tudo em excesso enjoa. Todo mundo que trabalha por muito tempo na frente dos games pode perder totalmente a vontade de jogá-los por pura e simples falta de vontade ou de “saco para ficar na frente do PC ou vídeogame”.

A verdade é: fazer jogos é uma coisa realmente muito prazerosa, é como criar música ou qualquer outra expressão artística (sim, game design é uma arte!), mas com o passar do tempo quem faz jogos começa a ver os games (os seus e dos outros também) como um bando de ifs e elses. Começam a deduzir rotinas de programação nos inimigos e vêem tudo pelo lado “fonte” do jogo. Às vezes, me pego tendo esses pensamentos no meio de uma partida e ela perde totalmente a graça. Parece uma coisa robotizada e calculada.


Quando jogar fica sem graça...

quando jogar fica sem graça

Eu me divertia aos montes quando entrei na faculdade jogando Elifoot 98 em casa (isso era meados de 2001) e torcia pelo meu time quando ele fazia um gol (lembra daquela sirenezinha do windows?), depois de comecei a programar vi que aquilo não passava de um monte de dados rodando por trás de uma interfacezinha com os nomes dos times e que, se o random() desse certo e todas as condições fossem favoráveis, saía um gol. Os gols do Elifoot perderam a graça.

Por isso que outros termos na minha jogatina foram sendo incorporados, perdi o tesão em ver jogos extremamente bonitos graficamente, mas que fazem a mesma coisa que a versão anterior. “Nooossa olhem o novo Unreal Tournament! Meu Deus! Halo 9!” Se eles forem iguais aos seus antecessores, não valem de nada, são os mesmos ifs e elses no meio de um programa, mas com uma capacidade gráfica melhor, porque o console novo permite ou porque a capacidade dos PC’s são melhores.

O que começou a me chamar muito a atenção foram, de longe, dois fatores:

Originalidade

Sim, esses jogos onde você pôe a mão no teclado/controle e fala “$%¨%$$, o cara estava iluminado quando teve essa idéia”. A originalidade, ultrapassa qualquer capacidade robótica, leia-se gráfica, física, whatever. Vejo muito isso nos milhares de jogos em flash que pipocam pela internet. Muita gente encherga isso como uma oportunidade e paga (e bem) por esses jogos originais.

Um belo exemplo de originalidade:

[via Continue]

Roteiro

Quando o jogador é tocado pelo roteiro de um jogo, deixa o lado gráfico em segundo plano e presta atenção cada vez mais na história/lição que aquele jogo lhe reserva. Jogar um bom RPG, por exemplo, é como ler um livro, você vivencia o que a história do jogo lhe proporciona. E ainda pensando em um livro, ali não existem gráficos melhores ou piores, eles são os mesmos de todos os outros, o que diferencia um do outro é qualidade de escrita e criatividade.

Esses dois fatores citados acima diferenciam os “homens dos meninos” em game design (eu me encaixo na segunda parte). Gráficos, quem têm dinheiro, têm gráficos bons, agora não é sempre que o dinheiro compra um bom roteiro e um jogo original.

Não quero que os games percam a graça, quero jogos mais originais e mais envolventes.

Categorias: Desenvolvimento, Filosofia | 4 Comments »


4 Comentários

  1. Então meu amigo Rômulo.

    Mesmo sendo um completo leigo em programação, entendo muito bem o que você está dizendo.
    Como você sabe, tenho um xbox 360, hoje estou jogando o GTAIV (que por sinal é o melhor de toda a série, e um dos melhores jogos que joguei pela criatividade), mas recentemente tive a oportunidade de conhecer o jogo “Portal” da Valve, ele vem junto no Orange Box (em apenas um DVD temos: Half Life 2, Episodio 1 e 2, Team Fortress e Portal), e pra mim foi uma das melhores descobertas que tive.

    No jogo você não possui armas de fogo ou armas brancas, o que vc tem é apenas um “fazedor” de portais. Com um dos gatilhos do controle vc abre um e com outro vc abre outro, quem lê pensa que não é nada, mas com esses portais vc pode fazer tudo, como por exemplo grandes saltos, uma vez que basta abrir um portal no alto de uma parede e outro em um precipício e se jogar neste, deixando que a gravidade e a inércia fazem o resto.
    Excelente jogo, infelizmente não tem multiplayer e apesar da história ser completamente inédita, é muito curta, em apenas 6 horas você já jogou todas as fases e fez os bonus.

    Mas mesmo assim, recomendo para aqueles fortunados que assim como eu, conseguiram comprar o Xbox 360.

    Um abraço.


    Comentário de Rodrigo Kazuma - 06/05/2008 às 8:53 am #
  2. Rodrigo,

    Portal realmente surpreende pela idéia. Quero muito experimentar…


    Comentário de Romulo De Lazzari - 06/05/2008 às 11:29 am #
  3. Nossa , esse post vai bem com um assunto que estava discutindo esses dias. Os jogos ultimamente são copias e continuações e memso no wii , que tem uma nova abordagem, não anda explorando todas seu potencial.


    Comentário de Gilberto de Ataide - 06/05/2008 às 9:21 pm #
  4. cara, penso exatamente como vc…. perdi totalmente a graça de jogar videogame… simplismente eu percebi que é tudo uma “farsa”… que tudo aquilo é uma rotina…. Utilizo a LIB Allegro, e agora comecei a estudar SDL


    Comentário de Carlos - 15/07/2009 às 10:13 pm #

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