por Romulo De Lazzari em 30/01/2008 as 23:20

Pense nisso!

Em minhas palavras e meus mantras, imagino um jogo como algo que gere disputa entre os jogadores, ou apenas para o jogador (um jogo solitário). Mas que esta disputa tenha um objetivo claro que defina vitória e derrota. O tempo e os fatos me contrariaram e vejo que esta definição está muito pobre, veja o porquê.

Objetivo do Street Fighter: dar porrada no seu inimigo até sua barrinha de energia ficar toda vermelha, ganhar dois rounds disputados numa melhor de três.

Objetivo do Mario Kart: dar algumas voltas numa pista toda cheia de obstáculos enfrentando inimigos que, assim como você, podem trapacear usando alguns tipos de “armas”.

Objetivo do Counter Strike: Matar todo mundo do outro time! Desarmar a bomba ou salvar uns “caras da ONU”.

Objetivo do Sim City: fazer uma cidade e … caiu minha casa! Isso o Sim City foi o pioneiro e realmente não têm objetivo definido, quem escolhe é o próprio jogador. Quero fazer uma cidade gigante, uma cidade pequena mas sem crimes, uma cidade bacana e depois chamar o Godzilla.

Os conceitos evoluem e o jogos também. Não fique imaginando que um jogo é ou não é um jogo porque tem ou não tem “coisas de jogo”. O que são essas coisas? Barra de energia? Tempo? HP? MP? Fases? Chefão? Eu definiria um jogo como: “Algo que tenha interação e distraia o seu usuário, trazendo algum tipo de bem estar“.

O grande problema é que tudo entra nos moldes da mídia. Esse jogo é de simulação de cidades, esse outro é um RTS e esse é de corrida. Fuja deles, pense no divertido! Se for divertido para você com certeza outras pessoas vão gostar (a não ser que você seja uma pessoa muito estranha), tenha certeza disso! Se um jogo cair nos moldes, que seja rotulado mas continue sendo original em seu ramo. “Como?” Isso você me perguntaria “Romulo, você quer dizer que é para o meu jogo ser novo e ao mesmo tempo velho?Isso mesmo! Vou contar uma história:

Como a CubaGames está dentro de uma incubadora de empresas, temos reuniões constantes e um foco muito grande dos gerentes da incubadora é o prêmio finep de inovação. Como o nome já diz, ele premia as empresas em suas áreas por desenvolver produtos/serviços inovadores. Nessa reunião, o cara estava lá falando, eu o interrompi e (com minha ultra ignorancia) perguntei. “Mas o que é inovação mesmo?” E o cara (caramba não lembro o nome dele) explicou na maior calma:

- Inovação é fazer algo extremamente novo (invejo quem tem essas idéias) ou fazer algo velho de um jeito diferente!

Aqui está a chave! Fazer algo velho de um jeito diferente. Onde os jogos fazem isso? Resident Evil foi lançado e “inventou-se” um modo novo de jogo certo? O tal do “Survival Horror“. Assim todos os outros jogos foram rotulados com este nome. Mas mesmo assim todos tinham suas inovações (fazendo algo velho de um jeito diferente) no estilo. Uma boa maneira de explorar isso é cruzar estilos de jogo. Usar puzzles dentro de um RPG ou um RTS massivo talvez?

Imagem do jogo Rose online
Os MMORPG’s também não têm objetivos definidos,
quem os monta é próprio jogador

Brinque, inove, faça su jogo do jeito que achar melhor! Enfim divirta-se fazendo um jogo, com certeza o resultado será bom :) .

Ps: post baseado na notícia que a EGM não queria fazer um review de um jogo porque disse que este não tinha “coisas de jogo”. Li no Assopre a Fita.

Categorias: CubaGames, Desenvolvimento | 4 Comments »


4 Comentários

  1. Jogo pra mim é aquele que me traz diversão independente do objetivo.

    Inovar é algo realmente muito complicado e quando você não consegue é logo taxado de “mais um”.


    Comentário de Samuel Batista - 30/01/2008 às 11:44 pm #
  2. Eu deveria ter colocado assim: “jogo bom, é aquele que você joga e perde a hora”. :)


    Comentário de Romulo De Lazzari - 31/01/2008 às 7:29 am #
  3. o jogo que a egm não kis avaliar pq não tinha coisa de jogo foi o Endless Ocean, e o jogo aparentemente até tem o seu objetivo, ué, explorar o fundo do mar, agradar peixinhos.
    era melhor ter avaliado e descontado ponto, do que simplesmente não avaliar

    cabe ao jogadores considerarem isso como um elogio, “é tão diferente do que estamos acostumados, não sei como avaliar, não sei que parâmetros utilizar para avaliar, minha biblioteca de conceitos e temas foi pega de surpresa por essa ‘coisa”, que estou sem palavras para poder fazr uma resenha”


    Comentário de Anderson - 01/02/2008 às 7:57 am #
  4. Fato interessante, é que o próprio Will Wright diz que o SimCity não é um game, mas sim um “digital toy”

    Segundo o proprio Will Wright ainda, o SimCity pode “gerar” um game a partir do momento que você estabelece para si mesmo uma meta específica, e tenta atingí-la. Mas em sua essência, o SimCity está pra um game assim como uma bola está para um esporte :P


    Comentário de Strid - 02/02/2008 às 3:54 am #