
Ano passado, participei de uma palestra a convite do meu pai, com o tema de “Paciência”. No meio da palestra (desculpe, não lembro o nome do palestrante) foi citada uma crônica (ou conto, realmente não sei o nome exato disto) do livro “O Retorno e Terno” de Rubem Alves chamado “Tênis x Frescobol”.
O texto diz sobre casamentos, que, segundo o autor, existem de dois tipos, os “tênis” e os “frescobol”. Aqui quero mostrar que todo e qualquer tipo de relacionamento, inclusive no trabalho, podem ser desses dois tipos.
No Tênis, temos pontos, sets, games. E duas pessoas tentando acabar uma com a outra. Atacando o ponto fraco do adversário e, quando possível, matando o ponto.
Uma pessoa “Tênis” no ambiente de trabalho, não está ali para somar e sim para ser único. Acha que todos são burros e ele é unânime em todas as situações. Burro para ele é: “aquele que pensa direfente dele”. A pessoa desse tipo quer acabar com o outro em uma conversa. Sabe aquela coisa ridícula de duas pessoas conversando sobre um assunto e dando motivos absurdos para defender sua opinião e quando a outra pessoa vê que a conversa não leva a nada fica quieto, então o “tênis” fica “se achando”! “Viu, fico quieto! Não tem resposta!” São coisas típicas de pessoas “Tênis”. Este tipo de pessoa no ambiente de trabalho não vê uma opinião contrária como uma oportunidade de somar e chegar a um “meio termo”, um ponto favorável para todas as partes e tenta massacrar seu “adversário” (um pobre colega de escritório). Defende até o final sua solução, mesmo vendo que a solução do outro é milhões de vezes melhor que a sua, pois não admite “ser vencido” no jogo.
Já o frescobol é diferente. No frescobol não existe ponto, não existe vencedores, ou todo mundo vence, ou todo mundo perde. Se uma pessoa erra a tacada no frescobol, a outra tenta se esforçar ao máximo para ajeitar as coisas. Sim! É um jogo em equipe!
A pessoa do tipo “Frescobol” ajuda os outros colegas em suas dificuldades, pensando sempre em um bem maior, o sucesso da equipe, da empresa, do produto, whatever. Não vê rivalidades internas com outros colegas. Enxerga nos seus pontos negativos uma oportunidade para crescimento e não um “ponto fraco” que nunca pode ser descoberto por seu adversário. Idéias diferentes, de pessoas diferentes, não são vistos como uma concorrência por uma pessoa “Frescobol”. Muito pelo contrário, pensa que todas elas podem se unir e virar um único projeto, benéfico a todo mundo. Pensa no crescimento coletivo e não apenas no individual. Uma conversa com esse tipo de pessoa, não existe “vencedor moral”, nunca acaba com “e aí, não tem resposta?” ou um “e agora, o que você me diz sobre isso?”. Quando duas pessoas “Frescobol” conversam, trabalham unidas em fator de um bem maior, o tema, assunto, conteúdo discutido (ei! Os blogs fazem isso
).
Por isso, seja Frescobol no trabalho, em casa, com sua namorada, com sua família. Pense nisso! Pense em quantas pessoas você pode ter magoado por ter saído “vencedor” em uma simples conversa. O grande problema é: quem ganha em uma conversa do tipo Tênis sempre sai perdendo! Sempre alguém ganha a conversa, mas quem sempre perde é o relacionamento entre as pessoas.
Fica o recado e leiam o texto “Tênis x Frescobol” pois é simplesmente fantástico!
Categorias: CubaGames, Desenvolvimento | 2 Comments »
Demais! Belissima analogia essa.
O maior problema é que a sociedade prega um comportamento egoísta para todos nós. O tempo todo estamos sendo incentivados a competir uns contra os outros e o resultado é que competimos até contra quem não deveríamos.
Você tem que ser o melhor aluno da sala, o melhor jogador do time, o melhor funcionário da empresa, etc, etc… e não fazer parte da melhor turma da escola, do melhor time ou da melhor empresa.
Eu acho que o culpado por essa característica social terrível é o sistema econômico que vivemos, mais egoísta impossível.