por Fernando Lorenzon em 10/12/2009 as 14:31

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Em outrubro de 2008, a Video Games Live se apresentou aqui em Curitiba. Eu fui. Eu e alguns amigos. Inclusive, encontrei por lá o Guilherme Moschen e o Tiago Barão aqui da Cubagames.

Fiquei pensando se valeria a pena escrever sobre o evento na época. O tempo foi passando e acabei deixando passar a aportunidade. Acho que deveria ter escrito alguma coisa. Afinal, não é sempre que podemos ir em grandes aventos de games no Brasil.

Agora, depois de um ano, eu resolvi escrever, sim. Mas meu maior motivo foi ter descoberto que não sou o único ranzinza a não ter gostado tanto da barulheira. Me acompanhem:

Novamente, a inspiração para escrever este texto veio da EDGE Brasil. Na sexta edição, a revista publicou um texto fazendo algumas críticas à Video Games Live. Não sei se o texto é de autoria dos ingleses ou é totalmente de autoria da filial brasileira. Imagino que o texto seja inglês. Devemos lembrar que os editores ingleses devem conhecer muito mais sobre música erudita e sobre apresentações deste porte.

Uma das críticas do texto foi justamente sobre o formato do evento. Juntam música orquestrada com show de Rock. Não agrada nem um dos dois públicos, claro. Isso não significa que o evento não seja marcante. Mas como o artigo bem argumentou, o que causa impacto são as imagens exibidas e o show de luzes. A parte visual e o fator nostalgia pesam mais que toda a parte sonora do evento.

O que eu vi na VGL foi justamente isso. As pessoas vibravam mais com as imagens no telão, principalmante quando elas remetiam a alguma série clássica, do que com as músicas em si. E não adianta o Tallarico ficar falando que o público poderia gritar, que não era um show chato, que não necessitava de silêncio como uma orquestra. Se o show é sobre música orquestrada, o silêncio é primordial.

Muitas apresentações não puderam ser aproveitadas como deveriam simplesmente porque o público berrava o tempo inteiro.

Um dos melhores exemplos é quando tocaram o tema de Metroid. Inicialmente a orquestra tocou as músicas da versão 8 bits, com imagens do Metroid original na tela. Nada de muito impactante. Mas em um momento o telão projeta as imagens de Samus em Metroid Prime, em 3D, e imediatamente começam a tocar a versão orquestrada do tema de Super Metroid que a Nintendo lançou juntamente com a trilha sonora do game de 94. O público vai ao delírio, como se nunca tivessem visto o jogo antes. Mas se trata de um jogo de 2003, e de uma música de 1994. Nada de novo ou espetacular assim para soltarem tantos gritos. O pior é que em meio à histeria, muitos nem devem ter ouvido direito a excelente música, e ficaram apenas babando nas imagens…

Aliás, eu tenho esta música no PC há muito tempo, e considero uma das melhores músicas orquestradas para games já feitas. A orquestra sinfônica Villa-Lobos de São Paulo a executou com perfeição, pois eu conhecia a música, afinal. Só temo que eu seja o único a conhecê-la.

Mas a galera que vai na VGL está tão pouco preocupada com a execução dos temas pela orquestra que não faria diferença nenhuma tocar tudo em playback e colocar o Tallarico pulando na frente com sua guitarra do Spider-Man.

E então? Serei o único brasileiro a achar que o público realmente não sabe se comportar neste evento? A barulheira seria tudo incentivo do Tallarico? Uma VGL mais comportada seria mais divertida?

Enquanto não encontro a resposta, ouvirei em total silêncio alguns dos temas de games de que gosto aqui no meu PC. Nada de “CARAIO VÉIO!!!!” em meio à performance.

Volto a dizer, eu gostei bastante do evento, mas o que se toca lá não combina muito com o comportamento do público, pelo menos em alguns momentos.

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2 Comentários

  1. Até entendo as pessoas como você, que preferem ficar no silêncio ouvindo tudo direitinho. Fui pro mesmo evento aqui em Salvador este ano e foi a mesma gritaria.

    Agora sinceramente, se o proprio sujeito manda gritar, se a maioria ta gritando histericamente e sai todo mundo alegre querendo voltar, será que é certo você afirmar que “Não agrada nem um dos dois públicos”, acho que só não agrada pessoas como você.


    Comentário de Marcio Melo - 10/12/2009 às 7:26 pm #
  2. Concordo plenamente com o Fernando, fora a parte de nao agradar a nenhum dos dois publicos. Agrada ao publico infantil brasileiro que nao sabe apreciar boa musica. Agrada ao publico que precisa se afirmar em alguma coisa pro amigo ao lado, mostrando que conhece a musiquinha do joguinho preferido. Publico que nao sabe que existe hora de falar, gritar e existe hora de escutar. Se o cara falou que pode gritar, e porque ele ja sabe que Brasileiro nao consegue ficar calado mesmo.
    Eu fui ao primeiro VGL no Rio…pra mim nao adianta ir mais…perdi 40% do show pra gritaria.


    Comentário de Pedro - 27/01/2010 às 2:18 pm #

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