por Fernando Lorenzon em 08/11/2011 as 12:35

Li um artigo no Gamasutra há algumas semanas que me chamou a atenção para um detalhe importante: jogo bom não precisa de detonado.

O artigo cita Dark Souls e os checkpoints escondidos que só faz aumentar a dificuldade do jogo. Os checkpoints deveriam facilitar o progresso do jogo, mas com alguns deles escondidos justo em lugares mais perigosos, o game acaba se tornando mais desafiador de maneira artificial.

Isso me fez pensar sobre um hábito que adquiri recentemente de ler FAQs e detonados de games mais complexos que estou jogando ou que pretendo jogar. Não leio o walkthrough, mas sim as dicas, controles, listas de armas/ataques/itens e algumas dicas.

O principal motivo de eu fazer isso é poder entender melhor como um jogo funciona para que eu não perca tempo desnecessário enquanto estiver jogando. Isso pode parecer ruim se pensarmos que descobrir os segredos por conta própria é mais recompensante. Mas acho que não há nada de recompensador em descobrir mecânicas de jogo importantes perto do final do jogo. Aprender a jogar não deveria ter segredo. Deixo para descobrir sozinho os itens secretos.

Um tipo de game que tem muitos problemas assim é o RPG. Muitos RPGs ocidentais permitem que o jogador crie seu próprio personagem e o especialize da maneira que mais agradar. O problema é que geralmente há poucas maneiras eficientes de criar um bom personagem, e descobrir isso só depois de 30 horas de jogo sem ter a opção de corrigir o build é punitivo demais para ser agradável.

Outro problema de muitos games atuais é a quantidade de coisas que podemos fazer dentro do jogo. São tantas opções de progresso de jogo mal documentado que acaba confundindo mais o jogador do que divertindo. Na década de 90 eu era um jogador de consoles, principalmente os da Nintendo. Quando eu comecei a jogar games de PC na década de 2000, algo que imediatamente passei a perceber é o quanto precisamos de informações adicionais externas ao jogo para conseguirmos jogar satisfatoriamente. Isso pode parecer que se deve a alta complexidade dos jogos de PC/ocidentais, mas na verdade pode ser apenas mau game design.

O que é difícil de admitir nesses casos é a afirmção que fiz no início do texto: jogo bom não precisa de detonado! Se você perde mais tempo tentando entender o game do que jogando ele, você pode estar diante de um game ruim, e não de um game “desafiador”.

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2 Comentários

  1. “É verdade Emílio!” (Sabrina Sato)
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    Agora mais ou menos sério: Eu acho também que uma outra causa a nos afetar e a tudo isso que você disse é a quantidade de jogos disponíveis e que hoje em dia são lançados (a oferta) em comparação com o pouco tempo que dispomos em face da nossa “vida agitada” dai-nos hoje, Amém! (escola, namoro, vida social, trabalho, pizza, esportes etc.) Não necessáriamente nessa ordem…
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    Aí diante de tantas “obrigações” & obrigações (sic) :) o pessoal acaba “apelando” para jogar rápido demais… Não curtindo, muito menos conhecendo realmente o jogo. Como “C” disse em RPG então, nem se fala… Aí da-lhe detonados, guias, dicas etc.
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    Afinal de contas não podemos deixar “as ações” da nossa empresa “obrigações” & obrigações cair no mercado… :)
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    Abraço! :)


    Comentário de Pixxel - 25/11/2011 às 8:14 pm #
  2. Excelente post, descobri o blog pela comparação entre fallout 3 e newvegas, eu particularmente considero o new vegas um dos melhores, senao o melhor, jogo que já joguei!


    Comentário de Marçal - 18/12/2011 às 11:21 pm #

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