por Fernando Lorenzon em 20/08/2008 as 20:26

A quinta e última virtude, a Narrativa, envolve principalmente a ambientação e a estrutura de jogo. A narrativa é o lado mais “literatura” ou “cinematográfico” do jogo. Isto inclui a história (se aplicável), a trilha sonora, a estrutura das fases/mundo, a arte gráfica e a temática do jogo. Isso é o que faz jogos tão similares em Desafio e Criatividade, como Super Mario 64 e Tomb Raider, serem aparentemente tão diferentes. Assim como Resident Evil possui uma narrativa específica que culminou no surgimento do gênero “Survival Horror”, mesmo sendo basicamente um jogo de aventura padrão, como Metroid e Metal Gear.

A Narrativa tem uma aplicação mais delicada, pois em grande quantidade ela pode comprometer a Liberdade e Criatividade. Veja os jogos da série Medal of Honor, que possuem boa narrativa, mas com a liberdade totalmente podada, pois o jogador só pode concluir as missões de uma única maneira, seguindo um únco fluxo de fases, e ainda só podendo jogar uma vez cada uma. Mas os produtores devem se orgulhar pelo grande filme que a série Medal of Honor não é. O problema é que nunca deveria ser. Isto é um jogo.

Zelda, por sua vez, consegue ter uma jogabilidade cativante por equilibrar a narrativa sem comprometer as outras virtudes. Você pode explorar todo o mundo de Hyrule mesmo sabendo que Ganon surgiu e destruirá o mundo em questão de horas. Ou seja, o jogo não te obriga a eliminar o chefe final ao coletar a última chave para o acesso dele. Uma conciliação tão óbvia de história com liberdade nem sempre é aplicada.

Por causa da natureza mais abstrata da Narrativa, eu pensei em não incluí-la como virtude de jogabilidade, mas como esta pode ser influenciada pela narrativa, então achei melhor tratar aqui.

Há jogos onde parte da narrativa é criada (Criatividade) pelo jogador através de inúmeras possibilidades (Liberdade) de ação. Estes jogos são os MMORPG e alguns RPGs mais arriscados como Fable e Fallout.

A ambientação pode influenciar a maneira que o jogo é encarado. Há muitas pessoas que gostam de corrida, mas torcem o nariz para Mario Kart. Não é preciso ser fã da Nintendo para saber que a série Mario Kart é uma das melhores séries de corrida que existe. A primeira versão, do Super Nintendo, possui uma física muito bem elaborada para a época e exige grande técnica por parte do jogador, mas é amigável para iniciantes também. Porém, será difícil alguém não considerá-lo um jogo infantil.

Esta visão sobre o jogo pode ser também um traço da jogabilidade.

Jogabilidade IX – 5 Vícios

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2 Comentários

  1. Para mim, o texto soou como se fosse obrigatório ter alguma narrativa/história. A grande maioria dos MMOG, os puzzles, e alguns shooters não tem história alguma e a galera passa hoooras neles.
    Acredito que a narrativa consista em “vender” uma idéia para o jogador, na tentativa de que ele abrace a causa ou não do personagem, influenciando na experiência dele.


    Comentário de Dauto - 22/08/2008 às 12:18 pm #
  2. A narrativa não é só a história, mas também a ambientação.

    Isso pode ser até os desenhos de fundo e as musiquinhas no Tetris.

    Pense nos jogos de pinball. Todos eles são iguais, mas a temática muda. Isso entraria na narrativa como parte da ambientação. Não é preciso ter a história neste caso.


    Comentário de Fernando Lorenzon - 22/08/2008 às 7:55 pm #

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