por Fernando Lorenzon em 23/07/2008 as 13:50

O Rômulo, grande pensador e antigo colaborador, escreveu o seguinte neste post:

“Em minhas palavras e meus mantras, imagino um jogo como algo que gere disputa entre os jogadores, ou apenas para o jogador (um jogo solitário). Mas que esta disputa tenha um objetivo claro que defina vitória e derrota. O tempo e os fatos me contrariaram e vejo que esta definição está muito pobre…”

Completando com:

“…Não fique imaginando que um jogo é ou não é um jogo porque tem ou não tem ‘coisas de jogo’. O que são essas coisas? Barra de energia? Tempo? HP? MP? Fases? Chefão? Eu definiria um jogo como: ‘Algo que tenha interação e distraia o seu usuário, trazendo algum tipo de bem estar’.”

Respeito a opinião do Rômulo, mas classificar como “jogo” qualquer atividade interativa transforma qualquer coisa em jogo. Você viu o Clip falante do Word e clicou em cima, fazendo ele se transformar, pronto! Você acaba de identificar um novo jogo. Pela idéia mais genérica do Rômulo (igualmente valiosa), podemos dizer que um jogo eletrônico trata-se de qualquer atividade interativa com um meio virtual, desde que sua função principal seja divertir/distrair.

Gosto deste conceito, mas ele lembra um pouco aquela história toda do planeta Plutão, que não era mais planeta, porém voltou a ser, mas de outra maneira, pois não entrava em conformidade com as características dos demais planetas.

A classificação genérica é muito útil na hora de referir-se à atividade de jogar, ou na hora de separar os produtos na prateleira. Pois faz mais sentido colocar Simcity junto dos jogos que junto dos antivírus. Mas queremos aqui entender o que significa um jogo, e para isso tenho que ser filosoficamente rigoroso, ou rigorosamente filosófico, sei lá.

Minha definição para jogo é: Qualquer atividade recreativa onde há um desafio imposto por meio de um conjunto de regras.

A partir dessa definição base, há também o jogo que exige interação com um ou mais jogadores, seja focando a competição, seja a cooperação.

O jogo de cartas “Paciência” não possui competição, mas existe o desafio por meio de regras. Xadrez envolve competição. E os demais jogos de baralho focam a cooperação junto com a competição.

O Ioiô é uma atividade recreativa sem desafio nem regras, portanto, não é jogo. Isso não quer dizer que não se possa inventar um jogo a partir da brincadeira.

Entendido o conceito, podemos voltar para o entretenimento eletrônico. Flight Simulator é um jogo? Não considero. Mas atenção: em nenhum momento isso quer dizer que não exista diversão nele, apesar desta ficar comprometida pela “falta do que fazer”. Outros softwares de entretenimento com interação mais “sandbox” ficam no limbo da classificação, como é o caso de Simcity, Rollercoaster Tycoon, The Sims, Endless Ocean, entre outros.

Bom, com o conceito de jogo mais entendido, podemos voltar para a “jogabilidade”. Mas, só para complicar, é possível falar da jogabilidade de Simcity, considerando ele um não-jogo? Até certo ponto, sim, pois existe um conjunto de regras para elaborar a cidade. O jogo não permitirá que você coloque um prédio em cima da água, por exemplo. A partir dessas regras Simcity direciona o jogador para um conjunto de tarefas organizadas. Isso seria uma pseudo-jogabilidade, e com isso Simcity passaria a ser um pseudo-jogo. Como falei, fica no limbo. Mas a regra neste caso é: seja um jogo ou não, deve ser divertido.

No próximo post, a jogabilidade dividida em 5 aspectos/virtudes. Aguardem.

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