

The King of Fighters é amplamente conhecido por todos aqueles esquisitos que frequentam os fliperamas. Mas como eu cresci numa galáxia distante, meu primeiro contato com a série foi num Playstation. E a versão foi justamente The King of fighters ’96. Por uma questão de nostalgia, ou por pura qualidade mesmo, esta foi por muito tempo minha versão preferida da série.
Uma das coisas que mais se destaca é a trilha sonora, a melhor da série. Mas não só isso, pois KOF ’96 implementou grandes melhorias no sistema de combate com relação às suas versões anteriores. Na época, poucos jogos de luta eram tão profundos.
Em alguns textos antigos eu defendi a série KOF como bons jogos de luta, principalmente por causa do carisma dos personagens. Na época, os jogos do gênero eram geralmente populados por monstros ou lutadores bizarros. Como identificar-se com um lobo de Killer Instinct ou com um demônio em Motal Kombat? Menos grave, mas digno de lembrança: como gostar de controlar um karateka sujo e descalço ou um magricelo faquir-style de fraudas em Street Fighter? Sei que não é tão grave, mas encontrar pessoas normais, com vidas relativamente normais, empregados e/ou estudando ajudava o jogador a entrar no clima.
Em Street Fighter, personagens de diferentes personalidades usam exatamente a mesma roupa, como é o caso de Ryu e Ken. Em KOF, Ryo usa kimono, por ser um aluno dedicado, e Robert usa roupas de grife, camisa aberta, calça social e sapatos, mostrando sua personalidade de playboy. Enquanto Ken se parece com He-Man, Robert lembra Antonio Bandeiras ou Steven Seagal (seria isso uma vantagem?).
Os estilos de luta dos personagens da série são muito legais e muito superior ao Street Fighter. COMO?!?!?! Muitos podem indagar. Se analisarmos o estilo de luta de cada lutador de Street Fighter, notamos muitas similaridades nos golpes. Quase todos os lutadores possuem um projétil que atravessa a tela e não abre muita brecha na vulnerabilidade; um golpe anti-aéreo; um golpe multi-hit. Já em KOF temos lutadores com golpes variados, sendo muitos deles únicos em seu delay, força e alcance.
Assistir uma luta entre Ryu e Akuma resume-se a chuvas de hadoukens enquanto shoryukens intercepta pulos.
Já em KOF, vemos golpes sendo usados com mais cautela, pois o tempo de vulnerabilidade é maior. Mesmo lutadores com estilos de luta parecidos acabam lutando de maneiras diferentes. Goro Daimon e Clark lutam usando arremessos e tombos (o primeiro luta Judô e o outro Jiu-Jitsu). Mas Goro luta aguardando ataques, mais na defensiva, enquanto Clark usa dashs e corre na direção do inimigo para pegá-lo desprevenido.
Em Street Fighter, a falta de corridas e esquivas faz todos usarem as apelativas fireballs constantemente do canto da tela. KOF força o jogador a se aproximar ou contra-atacar mais vezes.
Ainda no campo dos lutadores, KOF sempre se destacou pela quantidade absurda de lutadores distintos. Eu contei e me surpreendi. São 29 lutadores! E 29 lutadores com estilo de luta únicos, e não clones com os mesmos padrões de movimento como em Street Fighter e Mortal Kombat.
(Ai ai, como gosto de bater em Street Fighter… Mas gosto muito de Ryu & Cia também)

A história segue a saga Orochi. Kyo e Iori são descendentes de clãs que selaram o demônio Orochi há 1800 anos atrás. Rugal começa a busca pelo selo e assim liberar todo o poder de Orochi para uso próprio. Ele não consegue e morre definitivamente em KOF ’95. Agora, um dos seguidores de Orochi tenta novamente abrir o selo e tenta impedir que os heróis o selem novamente. Este guerreiro chama-se Goenitz e tem o poder de controlar o vento. Tendo Kyo o poder do fogo, Goro o poder da terra e Chizuru o poder do coração, eles buscam Aquaman com o poder da água para então invocarem o Capitão Planeta… ou algo parecido.
Na história do jogo, Kyo e Iori são rivais e volta e meia se pegam numa porradaria para ver quem é mais emo. Passei boa parte da minha adolescência jogando KOF com meus amigos. Eu sempre preferi jogar com Kyo, enquanto alguns jogavam com Iori. Logo, era comum os dois se encontrarem em combate. Fazíamos questão de deixar esses dois por último na ordem do time para encerrar a batalha. Com isso, combates entre Kyo e Iori ocorriam com frequência, dando à disputa mais rivalidade e profundidade. Por falar em rivalidades, é uma tradição em KOF alguns personagens fazerem entradas diferentes dependendo do adversário. Geralmente eles interagem entre si, saudando-se ou mostrando raiva. Kyo e Iori trocam algumas falas, enquanto Terry contra Geese mostra o punho e grita “Geeeeeese!”:

Os gráficos não são tão bons assim. Mas o nível de detalhes dos cenários é doentio:

KOF ’96 talvez tenha os cenários mais interessantes da série. Os sons são meio ruins também, assim como a dublagem que é às vezes inexpressiva e a baixa definição do áudio deixa as vozes roucas. Em KOF ’97 os sons já melhoraram bastante.
Se fosse eleger um dos jogos da série como o melhor sistema de luta, eu escolheria o ’99 (mas sem strikers). Mas no geral, ainda considero KOF ’96 o grande game da série. Sua trilha sonora está viva em minha memória e faz parte da minha vida. Claro que na versão arranged. KOF ’96 marca o início da era de ouro da SNK, com seus jogos marcados pelos controles excelentes, músicas intensas e artworks altamente detalhados, realistas, fugindo do estilo animê que predominou posteriormente.
Tags: KOF, The King of Fighters
Categorias: Clássicos | 1 Comment »
Cadê as imagens? =(