

Não é o jogo, mas a política das empresas que discutirei aqui. A Capcom foi a grande pioneira pela popularização dos jogos de luta (adivinha com qual), mas várias outras vieram em seguida aproveitando-se da onda de jogos de luta para abocanhar uma fatia do mercado de arcades. A maior rival da Capcom na década de 90 sem dúvida foi a SNK, com seu imbatível Neo-Geo / MVS.
Com o passar dos anos, a rivalidade entre as duas companhias foi tão evidente que elas tiveram a idéia de fazer um jogo de luta que misturasse personagens e elementos das principais séries de ambas.
A idéia foi revolucionária, mas depois de algum tempo ficou evidente que não passava de uma jogada de marketing temporária, pois o último cross-over lançado foi em 2003 (SNK vs. Capcom: Chaos).
O que me perturba foi a ascensão da Capcom e o declínio da SNK ao longo das gerações de jogos. Às vezes precisamos ser realistas. A Capcom é uma grande produtora e várias outras a copiam, enquanto a SNK é uma produtora medíocre que teve a sorte de contar com alguém para copiar conceitos de jogos.
Gosto de imaginar o quanto a SNK poderia ter crescido se não fosse arrogante a ponto de querer ter sua própria linha de hardware, mesmo só sabendo fazer jogos de luta (que por muitas vezes eram cópias). The King of Fighters possui personagens profundos e cativantes, trilha sonora bem composta e arte conceitual característica. Metal Slug – em minha opinião a grande estrela por ser o mais original dos jogos da SNK – possui ótimos gráficos e trilha sonora, humor e ação old-school bem empregada. Mas eles não conseguiram o milagre de transformar o cenário da produtora, apesar de terem segurado as pontas por muito tempo.
Depois de declarar falência e ficado inativa por alguns anos, a SNK volta à ativa. E o que vejo ser criado por ela: The King of Fighters e Metal Slug, originais e remakes, para várias plataformas, em todas as cores e sabores.
Já a Capcom, lançando jogos novos de velhas franquias, criando novas franquias, usando tudo o que as novas plataformas oferecem, e até criando jogos para PC, parece muito mais bem sucedida e sempre vivendo em sua Golden Age. A Capcom está tão ativa quanto na época do Nintendo (aquele de 8 bits).
Será que a SNK conseguirá copiar isso também? Eu espero que sim, mas a realidade é cruel.
Tags: SNK. Capcom, street fighter, The King of Fighters
Categorias: Reflexões | 2 Comments »
É fernando, a coisa anda feia para a SNK, infelizmente ela foi muito arrogante no passado, e pra falar a verdade continua até hoje, já a capcom, mesmo com vários erros, luta firmemente para se manter em pé e com orgulho.
Para quem não acredita a grandeza da Capcom hoje, convido para buscar vídeos do novo Street Fighter IV, que já foi lançado para Arcades (isso mesmo, fliperamas) e até março do ano que vem deve estar sendo jogado no Xbox 360, PC e PS3.
Abraços e mais um excelente texto.
Só fico triste em ver que poucos se manifestam aqui, acho que está na hora da galera dar seu pitaco também sobre o que vocês falam.
Até mais.
Problema da SNK foi ter um videogame próprio, CARO, para o qual só ela fabricava jogos(ou só ela fabricava jogos bons). E por ter se mantido no MVS muito além do que deveria.
O sucesso da CAPCOM se deve exatamente ao fato de ela ser 3rd-party. Não interessa qual console esteja bombando no momento, ela sempre fatura com os jogos.
Não acho que a SNK seja medíocre, apesar de não estar à altura da CAPCOM, a grande limitação pro crescimento dela era, realmente, possuir um console próprio.
Que a SNK siga os passos da SEGA.
E a CubaGames os da CAPCOM. hohoho