por Romulo De Lazzari em 03/09/2007 as 12:37

Jack Bauer entrevistando um novo cliente

É sempre a mesma história: “cliente novo? Temos que marcar uma reunião!”. Ok, reunião marcada, é hora de “arrancar as informações” para fazermos o nosso orçamento. Após uma, uma hora e meia de conversa com o cliente, reúne-se toda a informação, calcula-se o preço e o prazo e entregamos ao cliente. O cliente aceita o orçamento e o trabalho começa e com ele começam os problemas.

Nessa reunião de análise dos requisitos deve-se retirar tudo, mas tudo mesmo do seu cliente. Mas como fazer isso se esse cara nunca te viu na vida e não confia (pelo menos totalmente) na sua capacidade? Isso acontece normalmente com quem não tem essa experiência. O cliente não passa todas as informações, na maioria das vezes são coisas que nem ele mesmo sabe e acaba te dizendo no decorrer do serviço e outras vezes pode ser um ato de “malandragem brasileira“. Conhece a história do pedreiro? Uma certa pessoa pede para o pedreiro consertar uma sala, tudo, tijolos, cimento, cal, instalações, fios elétricos, etc, etc e etc. Mas “apenas” naquela sala. Após feito e aprovado o orçamento, quando o trabalho está sendo executado, o cliente vêm na maior cara de pau com jeitinho e pede para dar uma olhada naquela tomada ali no corredor. O pedreiro pensa “não foi esse o combinado” mas faz o serviço mostrando boa vontade. E por causa deste serviço a mais acaba atrasando a obra final. E assim o cliente o acha incapaz e desorganizado, etc, etc e etc.

Lembre-se, nessa reunião deve-se saber de tudo (repito: tudo) do serviço, às vezes até pergunte coisas que não tem muito a ver com o sistema, apenas para a pessoa se soltar a falar mais ou para saber como será o dia-a-dia do usuário do sistema (que na maioria das vezes é um funcionário da pessoa com quem está conversando). Pergunte tudo! Enquanto pergunta, anote tudo em um rascunho (caderno, notebook, o que achar melhor). Eu uso meus rabiscos num caderno e me entendo bem com eles depois.

Após a reunião, com as anotações em mãos, monte sua proposta, calcule seu preço e estipule o tempo que vai fazer cada tarefa. Não dê um prazo apenas para uma “super-tarefa”. Existe uma grande diferença em fazer um sistema de menu em uma semana, criar o game design em mais uma semana, mais 4 semanas para a criação de um demo do que simplesmente dizer que faz tudo isso em 1 mês e meio.

Achado o seu tempo de desenvolvimento, dê um tempo a mais (mais ou menos uns 10% a 15%) para possíveis correções e acontecimentos imprevistos que podem vir a acontecer. Assim, você pode ficar mais tranquilo e não ficar 24 horas acordado trabalhando para entregar esse ou aquele serviço.

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