por Fernando Lorenzon em 02/04/2009 as 20:48

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Uma das características dos grandes clássicos é ter uma temática mais ampla, que não envelhece tanto quanto outros jogos. Um jogo atemporal é aquele visto como moderno mesmo depois de vários anos.

Na literatura, temos muitas obras atemporais, que atravessaram eras e continuam lidas e estudadas pela geração atual. É o caso dos clássicos gregos, por exemplo. Com sua filosofia, a Grécia conquista até hoje o mundo com autores de mais de 2000 anos atrás.

Outro carinha que não envelhece é Shakespeare, que com sua visão aprofundada da alma do ser humano, ainda é referência. Shakespeare não envelhece porque sua obra não está posicionada num tempo para ali ficar.

Os grandes escritores não trataram somente de coisas que aconteciam ao seu redor em sua época, mas sobre coisas que acontecem ao nosso redor em qualquer época.

Nos games, não temos tantas eras na história e nem temos como avaliar o verdadeiro impacto de jogos realmente antigos, pois toda a indústria possui somente umas 3 décadas de vida.

Mesmo assim, desde seus primórdios, os videogames possuem jogos que se destacaram e evoluíram ao longo das gerações. Como um videogame é altamente dependente da tecnologia da época, jogos clássicos são “menos atemporais”. Ao visualizar um jogo por alguns segundos já é possível descobrir em qual década ele foi concebido e quais devem ser suas qualidades e defeitos.

Porém, existem jogos que mesmo sendo modernos já estão fadados ao esquecimento. Quando uma desenvolvedora lança novas versões de um jogo em pequenos intervalos de tempo, ela está destruindo a própria imagem única do jogo e o transformando em um mero conjunto de seqüências.

Lembro-me quando jogava Zelda – A Link to the Past no Super Nes e considerava aquele jogo único. Depois, acompanhava as notícias do próximo grande Zelda, o do Nintendo 64. A demora foi tanta que só tornou o jogo mais importante. The Legend of Zelda – Ocarina of Time foi um marco para a história dos games. Mas o sucesso do jogo e a pressão de lançar mais jogos em menos tempo fez de Zelda uma franquia um pouco menos majestosa. Sim, todos os jogos da série foram muito bem produzidos, mas parece que Zelda tornou-se algo muito comum. Parece que o primeiro (NES), o terceiro (SNES) e o quinto (N64) foram os únicos 3 jogos da série, mas depois do Ocarina já foram lançados uns sete jogos protagonizados por Link. Zelda tornou-se banal. Perdeu o charme que possuía.

Jogos de esporte também sofrem com isso, principalmente os licenciados. Alguém se interessaria em jogar Nascar 99, F1 2001, ou Virtua Tennis 1? A sensação de jogar um desses é que você ficou preso no tempo. E esses jogos foram muito bem recebidos na época. Mario Tennis foi lançado um pouco antes de Virtua Tennis, e por ser baseado em um mundo fictício, não mostra tanto as rugas da idade. Yevgeny Kafelnikov, um dos astros do primeiro Virtua Tennis, nem mesmo joga mais tennis!

Nessas situações, algumas aberrações aparecem. Para o Mega Drive, Monaco GP foi muito popular e apesar de representar um esporte específico em uma época específica, a falta de continuações abundantes fez desta versão algo mais memorável. Ou talvez por não apresentar pilotos oficiais ele não ficou tão preso no tempo.

Voltando ao Zelda, como verei Zelda 3 daqui uns 30 anos? Que tal eu escrever sobre ele em 2039?

Aguardem.

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