por Fernando Lorenzon em 08/06/2011 as 12:13

The Legend of Zelda é a série da Nintendo com a história mais profunda e misteriosa. Com a grande quantidade de jogos lançados, a própria Nintendo passou a ter dificuldades de encaixar a série na até então tranquila cronologia. Com isso, muitos fãs começaram a teorizar sobre a correta ordem cronológica de todos os jogos da série.

O assunto é fascinante porque o material é vasto e os fãs bastante imaginativos. O YouTube possui centenas de vídeos de fãs tentando estabelecer timelines. Vejam alguns deles:

Teoria da Linha do Tempo Linear

Teoria da linha do Tempo Dividida Aceitável

Teoria da Linha do Tempo Dividida Extreme

O video do Angry Video Game Nerd do timeline resume bem a situação toda e faz críticas a esses teóricos.

Eu vi esses vídeos há alguns anos e percebi o quanto a série possui um grande esmero na criação de sua mitologia. Acho bastante divertido discutir o assunto e ver os fãs trabalhando pra juntar todas as peças do quebra-cabeça cronológico e até mitológico.


Uma Timeline Dividida (clique para ampliar)

Mas como eu sou um cara chato, há vários pontos nestas discussões que parece que ninguém leva em consideração (exceto o AVGN, num lapso de racionalidade). Por mais que haja um esforço em explicar a história de Zelda, não há como ignorar o fato da série não contar com sua história como o principal elemento do jogo (ao contrário de vários RPGs). Vejam alguns pontos que muitos fãs ignoram e que destroem vários dos timelines imaginados:

1 – O Link em cada jogo é uma representação de um herói genérico. Não há nenhuma relação entre eles. As vestimentas dos Links são iguais porque a Nintendo quis manter uma identidade visual que facilita o reconhecimento por parte dos consumidores. Não há inclusive nem relações de parentesco entre os Links (tatatatatatataravô), pois se cada Link é descendente de outro Link com a Zelda, então Link seria um rei ou príncipe no início de cada jogo.

2 – A Zelda em cada jogo é uma representação de uma princesa genérica a ser salva pelo herói. Não há nenhuma relação entre elas (salvo Zelda do 3 e do 1). As vestimentas e nomes são iguais porque a Nintendo quis manter uma identidade visual que facilita o reconhecimento por parte dos consumidores. Não há inclusive nem relações de parentesco entre as Zeldas (tatatatatatataravó), pois se cada Zelda é descendente de outro Link com a Zelda, então Link e Zelda seriam primos ou irmãos no início de cada jogo.

3 – O mundo de Hyrule é sempre o mesmo porque a história também envolve o mundo e seus lugares. Na verdade, Hyrule tornou-se um personagem forte do jogo, tendo a Nintendo também a idéia de mantê-lo semelhante entre cada versão. Usar o mesmo mundo é algo bastante usado em universos de RPGs, como é o caso de Filgaia em cada Wild Arms, mesmo os jogos da série não tendo relações entre eles (são independentes).

Mas existem sim alguns jogos da lenda de Zelda que possuem ligações diretas, com o herói Link sendo a mesma pessoa:

1 – Zelda 2 procede diretamente  Zelda 1;

2 - Link’s Awakening procede diretamente A link to the Past;

3 - Majora’s Mask procede diretamente Ocarina of Time;

4 – Phantom Hourglass procede diretamente Wind Waker.

E alguns destes games possuem ligações indiretas mesmo:

Em Zelda 2, a história diz que a verdadeira princesa Zelda está adormecida há séculos e que Link precisa libertá-la da maldição. No terceiro jogo, o título já remete ao passado (Um Elo ao Passado), mostrando a princesa Zelda sendo perseguida para ser usada como objeto de feitiços. Podemos concordar que Zelda 3 vem poucos séculos antes de Zelda 1.

Já em Zelda 3, a história diz que o vilão Ganon presente em todos os jogos até então foi aprisionado no Mundo Sombrio por 7 sábios. Em Ocarina of Time, 7 sábios aprisionam Ganon no final do jogo. Com isso, podemos dizer que Ocarina of Time vem antes de A Link To The Past.

Portanto, o que eu posso dizer com alguma certeza é que a cada jogo, Link é um herói genérico escolhido pela Triforça. Zelda é só a princesa atual do reino de Hyrule, com exceção da princesa de Zelda 3 que é a mesma sob a maldição em Zelda 2. E Ganon é sim o mesmo ser nesses jogos, sendo antes um ser da raça dos Gerudos que se corrompeu.

Após o Majora’s Mask, acredito que os outros jogos da franquia não possuem mais relação com os primeiros. É como se Wind Waker tivesse começado do zero, mas usando o mesmo herói, o mesmo vilão, a mesma princesa e o mesmo mundo por mera tradição. Talvez os jogos posteriores podem ter relações entre si (os do DS são continuações diretas), mas não joguei todos para me certificar disso. E como podemos ver, também não podemos contar com os teóricos dos links acima, pois são um bando de loucos. Afinal, será que os produtores dos Zelda realmente levam a sério todo aquele papo de linhas temporais paralelas? Isto é Zelda, e não Lost.

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