
Sou um gamer dos tempos em que os jogos deveriam ser terminados. Se formos traçar uma linha evolutiva dos games da década passada até os tempos atuais, vamos detectar que com o advento da Internet os games passaram a não só disponibilizar partidas on-line, mas a focar a competição e o mundo multi-jogador, deixando o modo single-player abandonado. Inclusive, muitos games passaram a se tornar um esporte.
Não vou bancar um chato que só reclama aqui. Já joguei muito com outros jogadores e me diverti muito com isso. Geralmente jogava games de luta ou ação em modo cooperativo. Porém, meu cérebro se adaptou ao estilo single-player de se jogar. Ou seja, gosto de jogar pelas metas, pela sensação de alívio e vitória ao cumprir objetivos ou passar de fase. Jogos competitivos cada vez menos me interessam.
A cada notícia de um novo MMO, sinto uma frustração por saber que aquele game poderia ser um excelente single-player. Não culpo as empresas por investirem nisso. Afinal, mercado existe e todos querem ganhar dinheiro. Mas MMO é muito chato para quem não só cresceu jogando Nintendo, Capcom ou Sega, mas quem realmente amou esses games e venceu-os.
O que me incomoda nos MMOs em geral é que eles exploram uma coisa na gente que chamo de “bug cerebral”. Vou explicar: Quando jogamos, sempre almejamos atingir um certo nível ou completar uma certa meta. Geralmente este desejo acaba quando completamos tudo ou quando pelo menos terminamos o game. Quando jogamos um MMO, fazemos a mesma coisa. Acontece que ninguém vai se sentir completo atingindo o nível 68 se o limite é 99. Todos vão jogar para chegar neste nível. Assim como as quests, que serão todas tentadoras demais para serem deixadas de lado. Mas como o jogo MMO recebe novas atualizações de vez em quando e a dificuldade é tão alta que o game exige uma busca incessante por XP e equipamento, é fácil dizer que o game praticamente não tem fim. Aí entra o bug. Ficamos jogando até terminar, mas o game nunca termina, transformando-nos em zumbis que jogam eternamente, correndo nas extensas pradarias matando todo tipo de animal. Ficamos sedentos por sangue, dinheiro, items brilhantes e poder.
Para mim, isso não cola. Não consigo pensar em começar a jogar um game que presumo ser infinito.
Um game que me deixou muito animado ao ser anunciado foi o Lords of the Rings Online. Na época em que eu li a respeito do game, não notei a parte “online” no título, ou simplesmente foi omitida mesmo. Então fiquei encantado com o trailer mostrando um mundo gigantesco, cheio de lugares interessantes e um sistema de combate bacana, com várias árvores de habilidades e etc. Uau, até parece um MMO, logo pensei. Infelizmente eu acertei.
Será que ninguém percebe o nicho que estão perdendo lançando MMOs quando poderiam transformar estes games todos em grandes aventuras termináveis e completas, em single-player?
Não se pode viver de Fallout 3 para sempre, afinal. Aliás, que game mais viciante! Nunca fiquei tanto tempo seguido jogando um game quanto em Fallout 3. Enquanto isso, estão lançando Senhor dos Anéis para jogar pela internet, com um monte de noobs estragando a magia que deveria ser imergir num mundo de RPG. Imaginem, um mundo gigantesco, cheio de vida, mas com uma população de farmers e grinders. Prefiro mil vezes interagir com NPCs, pois eles possuem muito mais inteligência e profundidade que os zumbis jogadores de MMO. É sério.
Tags: Desenvolvimento, Fallout, RPG, Senhor dos Anéis
Categorias: Reflexões | 5 Comments »
De certa forma eu concordo contigo. Meu irmão passa horas jogando sozinho e sempre fazendo as mesmas coisas repetitivas: matar monstros para ganhar mais XP e passar de nível, vender as coisas que eles dropam para comprar coisas mais poderosas para poder matar mais monstros e poder ganhar mais XP, e assim por diante. E ele nem tenta conversar com o pessoal, criar uma história, sei lá. Ou seja, ele faz a mesma coisa que um bot faz. Qual a graça?
Eu jogava um jogo, chamado S4 League. Era um MMO de “esporte”, não era RPG. Tinha um tutorial com uma historinha bem bobinha, mas já deixava o jogo mais interessante. Depois do tutorial, só sobrava o esporte. Fiquei sabendo que adicionaram um modo arcade, com fases e chefão, mas não jogo faz um tempão, nem sei se é bom ou se fez sucesso…
Concordo em parte. Só acho que você foi infeliz ao citar o LOTRO como exemplo. Eu jogo LOTRO a mais de um ano de forma moderada (tem dias que jogo muitas horas seguidas, mas não jogo sempre) e, apesar de você ter razão sobre o jogo não ter fim, ele tem uma bela história a seguir (as quests de Book) que você pode considerar como sendo o jogo quase single-player dentro do MMO. Apesar de você precisar de ajuda de uma fellowship pra fazer diversas dessas quests, isso não tira o prazer da conquista no jogo. Mas isso é uma escolha do próprio jogador. No exemplo do comentário do Matheus o jogador fica fazendo coisas repetitivas dias a fio porque quer. Não é isso que o LOTRO proporciona. Mas você pode upar até o nível 65 sem fazer nenhuma quest, e vai ser chato pra caramba. Mas da mesma forma, conheço gente que joga single-players no PS3 só pra ganhar troféus, lendo um guia ou coisa que o valha inclusive, o que torna o jogo tão chato quanto o MMO repetitivo. O jogador escolhe o que fazer com o que o jogo oferece.
Meu amigo, concordo totalmente. Nem tem o que acrescentar, eu não gosto de jogos online e raramente jogo games single em multiplayer. O mercado deveria dar mais foco a esse público, que não é pequeno.
Só descordo na parte do Fallout 3, apesar de ter gostado e chegado até o fim. Fallout 2 pra mim ainda é um dos melhores jogos da história (em um TOP3 bem equilibrado). Mas o 3 é extremamente genérico e repetitivo (como a maioria dos MMORPGs). Não chega nem perto do Fallout 2. Um game single que eu gostei muito foi o Dragon Age Origins (além dos FPS da vida que gosto também e sempre mantém um bom single).
Guild Wars tinha as campanhas que você tenta completar, e dependendo de quão bem o fizer, você ganha títulos. Também tinha um multiplayer bem interessante, mas agora com Guild Wars 2 chegando todo mundo só pensa na nova versão que tá prometendo uma variedade grande de atividades lúdicas.
Concordo. Seja qual for o tipo de jogo, corrida, RPG, estratégia, a pior coisa é você querer jogar para se divertir e descobrir que tem um cara que passa 25h por dia jogando aquilo e que simplesmente não te deixa jogar. E não adianta trocar de servidor.
Mesmo em jogos multiplayer eu acabo jogando sozinho. Não tenho tempo para viadagens de clã ou o que for que esse povo gosta de fazer.