

O ser humano é um animal que gosta de colecionar itens que nunca serão utilizados. Muitos tiranos eram obcecados por ouro e jóias. Muitos enchiam salas com objetos brilhantes que só traziam mais vontade de juntar objetos brilhantes.
Há quem goste de colecionar livros, músicas, filmes, graphic novels e outras coisas mais importantes para a humanidade, como pinturas, selos, sapatos e HotWheels.
Quem considera os games algo mais que um simples entretenimento vai inevitavelmente começar a guardar cada um deles com cuidado, preservando as caixinhas e manual. Vai querer colecioná-los.
E aí surge o problema. Cada jogo é feito para um hardware específico. Nem sempre os jogos são relançados. Nem todos os jogos são relançados para as plataformas mais acessíveis. Nem mesmo os jogos de Windows-PC são compatíveis com o Windows-PC atual ou antigo.
Tenho muitos jogos originais para PC que simplesmente se recusam a funcionar no Windows XP. Alguns outros dão problema com placas de vídeo ATi. Alguns podem apresentar problemas com determinados drivers da NVidia.
Quem quiser aproveitar ao máximo os grandes jogos de todos os tempos, tem que ter uns 5 PCs, 15 consoles e muito espaço.
É isso que dá gostar muito de games. Tenho inveja de quem gosta muito de músicas. Ninguém que seja fã dos Beatles é obrigado a comprar LPs e toca-discos. Não, o cara vai na loja de música preferida e compra tudo em CD com áudio remasterizado! E com preço justo.
Quem for fã de Nights pro Saturn terá mais trabalho para jogá-lo. Veja bem, Nights foi lançado somente para Saturn. Então temos que comprar um Saturn para depois comprar Nights. Mas nem o console nem o jogo são ainda fabricados. E o jeito então é comprar usado, que não se iguala a comprar algo novo. Somente há pouco tempo o jogo foi relançado, desta vez para o popular Playstation 2.
Imagine se os fãs de Beatles tivessem que ouvir as músicas somente a partir de LPs usados? Com certeza uma legião de fãs da banda não existiriam hoje.
E é exatamente por isso que não existe uma legião de fãs de Nights.
Isso é o mercado limitando o acesso às obras que queremos.
Por isso eu acho que o grande sonho de qualquer gamer é a total unificação das plataformas e padronização dos formatos de distribuição de jogos. Talvez só os nintendistas não aprovem (há quem ficou incomodado por Sonic ter aparecido no Gameboy Advance).
A dificuldade de poder jogar qualquer game de qualquer época sem o uso de emuladores se deve ao fato dos games serem todos criados a partir de códigos em uma determinada linguagem de programação. Esta linguagem pode até ser conhecida, como C, C++ ou Basic. Porém, a linguagem pode ter algumas funções específicas de um kit de desenvolvimento para utilizar recursos em um hardware também específico.
O que eu quero dizer com isso é que não é só pegar o Pac-Man e “remasterizá-lo” pra geração atual. É preciso ter acesso ao código-fonte original e adaptar todo o código para uma nova plataforma. Isso sem falar nos recursos audiovisuais do jogo. E ainda assim, se um jogo for relançado, não será para qualquer plataforma.
Com tudo isso, colecionar games torna-se um ato heróico, levado adiante somente por alguns mais corajosos e com dinheiro para gastar. Se eu tenho dificuldades de vez em quando com o Nintendo 64, imagine quem tenta manter em funcionamento um Nintendinho.
Eu adoraria ter em um único console todos os jogos relevantes da história, para poder comprar qualquer um e jogar com a mesma facilidade que utilizamos emuladores. Ou melhor, com a facilidade que compramos músicas em CD.
Com a distribuição digital dos jogos, consoles com HD e ferramentas de desenvolvimento cada vez mais avançadas, fica muito mais fácil manter uma boa gameteca. Mas qual colecionador mais hardcore quer manter itens que não se podem tocar e empilhar numa estante?
Tags: Coleção, Retrogames
Categorias: Reflexões | 3 Comments »
Excelente post! Qual a graça de colecionar emuladores e roms? Nenhuma! O bom da coleção é tocar, palpar, observa-la, sentir o cheiro de mofo! hehe. Infelizmente a conservação e substituição de peças dessas relíquias sai caro pelo fato de não serem produzidas mais. E um Atari restaurado com som Stereo e entrada para TV de plasma, que me perdoem, não é a mesma coisa. Podem me chamar de masoquista, mas se é pra voltar ao passado, tem que ser naquelas TV de madeira mesmo!hehe
Colecionar consoles é igual colecionar carros antigos, você pode até colocar um motor novo, mas não vai ficar nada parecido com aquele rugido que estava acostumado a ouvir.
Felizmente sou muito amigo do Moacyr, mais conhecido como PC Engine Fan, um dos maiores (senão o maior) colecionador de games do Brasil.
O cara tem muita coisa mesmo.
Pessoalmente, não tenho capacidade para colecionar games, acho que é um investimento muito alto para pouco retorno uma vez que prefiro jogar relíquias em emuladores aproveitando ferramentas novas como Saves e Combos pré-definidos, mas isso serve para mim.
Admiro muito aqueles que colecionam.
Eu, com minha coleção de quase 15 jogos originais para o Xbox 360 estou muito feliz, porém, assim que anunciarem o sucessor do 360, irei me desfazer destes jogos, pelo simples motivo que prefiro conhecer o novo, ou jogar o velho com recursos novos.
Ahh, quanto ao fato de unificar as plataformas, não gosto muito dessa idéia, pois penso que irá nivelar por baixo a qualidade dos jogos uma vez que teríamos sérias brigas entre os hardcore gamers e os casuais, uma vez que estes estariam disputando a mesma plataforma e os mesmos desenvolvedores.
Pra mim, assim está bom.
Super legal o post.
Isso nos faz pensar em obsolescência programada. Acredito que a única empresa que ainda lembra da retrocompatibilidade seja a Nintendo, embora não seja ela a favor da multiplataforma, o que na minha opinião seria ótimo.
Seria esssa também uma justificativa para a pirataria no mundo?