

Antes de iniciar, deixo claro que o que escrevi abaixo é fruto apenas das minhas concepções e vivência. São opiniões. Não fiz nenhuma pesquisa científica, nenhuma estatística, e nem sou jornalista (uia).
Todos cedo ou tarde acabam discutindo sobre pirataria. Depois de eu ler vários blogs e revistas ao longo desses anos, chegou a hora de eu dar meu parecer. Posso futuramente mudar de opinião.
Existem três tipos de consumidor de piratas:
- Aqueles que não agüentam ficar sem jogar os dez lançamentos do mês, todo mês;
- Aqueles que não tem condição financeira alguma para comprar original;
- E aqueles que até poderiam comprar original, mas não conseguem por falta de acesso.
O primeiro tipo é um caso que mesmo com jogos originais custando 20 reais, ele compra o pirata porque o pirata custa 10 (e assim sobra mais 10 reais pra levar outro pirata).
O segundo caso é realmente aquele que ainda mantém um único console (geralmente o PS2) e mal consegue comprar controllers adicionais. Este poderia até comprar original, caso fosse barato o suficiente.
O terceiro tipo geralmente entende bem de games, se esforça para comprar originais, mas nem sempre encontra, devido aos entraves do mercado, como falta de publicações dos jogos no país, valores injustos, concorrência de menos.
Acredito que eu já vivi cada uma dessas fases. Atualmente, eu gostaria muito de manter uma gameteca com títulos originais, e meus próximos consoles serão bloqueados, para evitar qualquer chance de me entupir com piratas que nunca jogarei.
Mas aqui no Brasil nem tudo é culpa da pirataria ou impostos. Falta VONTADE das produtoras de venderem por aqui. Um caso emblemático que aconteceu comigo foi tentar comprar dois jogos originais novos pra PS2 que gosto muito: Gran Turismo 4 e Ace Combat 04. Saí com o dinheiro em mãos para as principais lojas de Curitiba e simplesmente não encontrei nenhum dos dois. Isso mesmo! Não encontrei os jogos. Depois eu procurei em lojas on-line e não encontrei novamente. Mas gastando apenas alguns segundos em programas P2P encontram-se dezenas de cópias. Nunca pensei que comprar produtos de qualidade e manter-se dentro da lei fosse tão trabalhoso. Eu realmente criticaria as cópias ilegais caso estas fossem mais difíceis de obter, mas além de mais baratas, as cópias ilegais são abundantes. Fica difícil comprar o original quando ele não existe mais pra venda. Cadê o respeito pelo consumidor?
Outro problema. Vejam meu dilema com o Wii:
Eu perdi quase totalmente a penúltima geração de consoles. Meu último console foi o Nintendo 64, comprado em 97. Somente em 2008 eu pude comprar um PS2. Neste intervalo entre os consoles, jogava de tudo no PC, onde eu investi bastante. Posso dizer com orgulho que, em meio de muitos jogos piratas, tenho muitos outros originais. E como só agora comprei o PS2, minha idéia é comprar um Wii e assim poder jogar também os grandes jogos do Gamecube devido a sua total retro-compatibilidade. Seria um ótimo 2 em 1.
O dilema é o seguinte: Como não se fabricam mais jogos de Gamecube, tenho duas alternativas. Uma é a pirataria. A outra são os usados.
Atenção, nem a pirataria nem a comercialização de usados ajuda o fabricante, pois o jogo só dá lucro na primeira venda, certo? Já com a pirataria, é ilegal, pois se trata de uma violação de direitos autorais. Hoje a grande maioria baixa jogos piratas da Internet e grava, não colaborando com o crime organizado como alardeiam por aí.
Mas este dilema já foi superado, e eu realmente decidi comprar um Wii bloqueado, com games usados do Cube. Mas tenho medo de comprar jogos riscados ou avariados de alguma forma. De qualquer forma, a popularização dos sites de leilão ajuda a comprar os de segunda linha.
Se a pirataria é tão prejudicial pro nosso mercado, por que temos jogos de PC originais abundando nosso mercado há quase duas décadas? Alguém se arrisca a responder?
E vamos falar a verdade, o PC é a plataforma mais fácil de se jogar cópias ilegais, pois não depende de hackear o hardware. Por isso eu acho que esta história de que a pirataria inibe as empresas é em grande parte balela. A expansão do mercado é inibida, sim, pelos altos impostos, ou por uma grande burocracia para trazer jogos.
Os jogos de PC custam de 10 à 100 reais. Muitos dos jogos piratas que joguei eram jogos que não foram distribuídos por aqui.
Mas uma coisa é certa, essa galera toda que consome originais e piratas querem é jogar. Dêem jogos a preços acessíveis e todo mundo compra. Se até a irmãzinha do gamer compra The Sims original, é porque The Sims é encontrado facilmente em qualquer loja de games, informática e hipermercados, por um preço justo. Ela não está interessada se o jogo é pirata ou original, ela só quer jogar da maneira mais rápida. Como a distribuição e o preço do jogo original são bons, a menininha leva o original.
Isso tudo não tem nada a ver com conscientização, é pura lei de mercado, a oferta e demanda.
Para finalizar, eu gostaria de compilar aqui algumas frases que considero pura hipocrisia:
- Jogos piratas prejudicam o mercado.
Errado! Altos impostos e proteção do mercado prejudicam o mercado. Os jogos originais de PC são muito bem vendidos por aqui, principalmente pelo preço e facilidade de distribuição. Você os encontra nos supermercados, lojas de informática e até em bancas de revista. Detalhe: Jogos de PC são os mais fáceis de copiar, pois não necessitam de hacks de hardware. A China e outros emergentes possuem os mesmos problemas de pirataria e estão na nossa frente no mercado de games de console. Pra falar a verdade, o acesso fácil e barato aos jogos, proporcionados geralmente pelas cópias ilegais, estimula o comércio de revistas, consoles e acessórios em geral.
- Não tenho dinheiro pra comprar original!
Muitas vezes é uma mentira. Tanto é que quem compra piratas compra vários de uma vez. Gastam-se 50 reais no mínimo. A maioria dos jogos comprados são uns lixos de jogos. Economize e compre um original de qualidade.
- Faço minha parte, compro usados.
Adquirir produtos usados não é crime, mas prejudica os produtores igualmente, pois eles só ganham na primeira venda. Para desestimular tal prática, alguns jogos já estão sendo lançados com conteúdo exclusivo somente para o primeiro dono. Isso sim eu considero crime.
- Compro piratas porque as desenvolvedoras estão nadando no dinheiro.
Tudo bem, só não reclame quando seu jogo preferido não sair mais devido à corte de gastos. Ou pior, devido à falência da empresa. Os chorões que reclamavam da SNK ter falido não abriam mão dos emuladores de Neo Geo.
- Acho um absurdo pagar 250 reais num jogo. Se fosse uns 30 eu comprava.
O jogo de estratégia nacional OutLive foi lançado na época custando 25 reais. Conheci um monte de gente aqui de Curitiba que baixou o jogo da Internet. E olha que além de ser um jogo nacional, foi fabricado aqui em Curitiba! Quanto descaso!
Tags: Pirataria
Categorias: Reflexões | 5 Comments »
Concordo com quase tudo, exceto a parte do imposto. De modo geral, os impostos no Brasil são elevados para tudo, não apenas para jogos. O que não impede que outros setores, onde os produtores investem para ganhar mercado, sejam robustos e com bom suporte aos consumidores.
A distribuição nacional de jogos para PC é testemunha disso. Mesmo com impostos altos, pagamos menos que americanos, japoneses e europeus. Adequação ao mercado (levando em conta a menor renda do brasileiro).
O que não acontece com os consoles. Tenho a impressão de que produtoras de hardware e software desejariam vir ao Brasil apenas se as coisas aqui fossem como nos mercados mais abastados. Não demostram interesse em desenvolver o mercado: Quantos jogos foram dublados em PT-BR? Um custo certamente pequeno diante do valor total da produção do jogo.
A política tributária não é boa, reitero. Mas a apatia das produtoras com os mercados de países em desenvolvimento parece-me mais relevante neste sentido.
“O jogo de estratégia nacional OutLive foi lançado na época custando 25 reais. Conheci um monte de gente aqui de Curitiba que baixou o jogo da Internet. E olha que além de ser um jogo nacional, foi fabricado aqui em Curitiba! Quanto descaso!”
Pois é, isso é triste =/ e desmotivador =/
Bem, concordo com tudo.
E aproveito para esclarecer sobre a tributação para games de consoles que é diferente para games de PC.
Pelo que sei, aqui no Brasil, games de pc são tributados como software, logo tem até bastante incentivo fiscal, o problema todo está em games para consoles, pois os consoles são tributados como Máquinas Caça-Níquel, exatamente, como uma máquina voltada para roubar dinheiro, e seus games assim também são classificados, esse é um dos principais motivos dos preços dos games para consoles serem tão caro.
Há projetos de lei para mudar isso como no caso o 300/07, que está encalhado, mas pelo menos já é alguma coisa.
E apenas para acrescentar, hoje estou com o meu 360 bloqueado, tenho uns 8 games, e sendo que só pago R$100,00 nos games que realmente eu acho que valem a pena, de resto, pago bem barato.
Comprei Viva Piñata: Trouble in Paradise LACRADO (jogo lançado no final do ano passado) por menos de R$25,00, semana passada peguei o Tiger Woods 07 por R$14,00.
Isso tudo original.
Claro que não ligo se o jogo é usado ou não, ligo sim que ele esteja na caixa original e com boa qualidade.
E da mesma forma como sou a favor do comércio de carros usados (a fabricante só recebe na primeira venda) sou muito a favor da troca e venda de jogos usados, acho que assim a produtora se torna mais conhecida por aquele trabalho e com isso pode vender mais da próxima vez, e principalmente, se a produtora não quer que o usuário de seu jogo não venda ele, ela que aprenda a fazer um excelente multiplayer, que sempre crie novos patchs ou utilitários, ou então que crie algo colecionável.
Muito bom texto Buga.
Chega de hipocrisia!
“Faço minha parte, compro usados.
Adquirir produtos usados não é crime, mas prejudica os produtores igualmente, pois eles só ganham na primeira venda”
Claro que não prejudica os produtores. Nunca vi ninguém reclamando de comprar e vender carros usados, pois ia prejudicar a Volkswagen. Também nunca vi ninguém reclamando da compra e venda de livros usados. Ora, por que teria que ser diferente com jogos?
Quem vende jogos usados normalmente pretende ter dinheiro para comprar novos jogos, que podem incluir usados ou lançamentos.
Desestimular o fluxo de jogos usados é burrice. Muita gente ficaria frustrada em guardar jogos velhos em casa. É muito mais inteligente vender eles, juntar dinheiro e comprar o lançamento se divertir. Isso mais estimula o mercado do que atrapalha.
Ah, ruim é vender jogos como os de PC, que precisam de um serial único para ter acesso ao conteúdo online, por exemplo. Seria um porre comprar um World of Warcraft usado e descobrir que você não pode jogar pois o serial key está associado à conta de outro usuário. Isso sim seria péssimo.